O fluxo de capitais privados para os 29 principais mercados emergentes do planeta cairá este ano para US$ 160 bilhões, US$ 80 bilhões a menos que em 97 e praticamente a metade do volume alcançado em 1996, ano que marcou o recorde desse tipo de movimento de capitais, com US$ 310 bilhões.
A previsão foi feita ontem, em Washington, pelo IIF (sigla em inglês para Instituto de Finança Internacional, o conglomerado que reúne mais de 300 instituições financeiras privadas). Trata-se da primeira medição efetiva do fechamento de torneiras para os mercados ditos emergentes, como consequência, primeiro, da crise asiática e, agora, do colapso da Rússia.
A redução no fluxo de capitais para países emergentes, entre os quais o Brasil, se dará em quase todos os itens:
1 - Investimentos em ações se reduzirão para US$ 11 bilhões, um terço apenas do volume alcançado em 96 e US$ 14 bilhões menos do que em 97. Mas, em 1999, o IIF prevê leve recuperação (para US$ 18 bilhões).
2 - Os empréstimos de bancos comerciais se reduzirão a zero, depois de terem alcançado US$ 113 bilhões em 1996 e US$ 20 bilhões em 97. Voltarão só em 99, mas, assim mesmo, para uma soma (US$ 12 bilhões) inferior à de 97.
3 - Os demais financiamentos privados, incluindo bônus, cairão igualmente, ficando em US$ 40 bilhões, contra US$ 75 bilhões em 97. Ao contrário dos demais itens, o declínio se manterá em 99, quando o fluxo baterá em apenas US$ 25 bilhões.
O único item positivo é o do financiamento direto (ou seja, investimentos em produção de bens e serviços, não em papéis), que se manterá acima de US$ 100 bilhões tanto este ano como em 1999. É natural, nesse cenário, que o IIF esteja cobrando uma ‘‘poderosa estratégia’’ para assegurar a estabilidade e a manutenção dos mercados abertos, como disse ontem Charles Dallara, diretor-gerente da instituição.
É esse o eixo de carta que o IIF enviou aos ministros de Economia e presidentes de bancos centrais reunidos em Washington para a assembléia-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional). O instituto cobra ações para ‘‘fortalecer o sistema financeiro internacional, reconstruir a confiança dos investidores e restaurar o momento de crescimento’’. Dallara cobra, na carta, que o FMI mude seus enfoques, em especial para levar em conta ‘‘os sentimentos do mercado’’.
A proposta dos banqueiros é a de que o FMI ‘‘envolva o setor privado no estágio inicial, quando um país parece estar se encaminhando para uma crise e quando ainda é possível agir para reduzir o perigo e evitar a crise’’. Como é natural em uma instituição representativa do mercado, o IIF condena ‘‘ações unilaterais tomadas por alguns países, incluindo a imposição de amplos controles e uma grande moratória sobre a dívida’’.
O instituto não faz menção específica a país algum, mas é óbvio que está se referindo a medidas intervencionistas adotadas pela Malásia e por Hong Kong e à moratória decretada pela Rússia. A instituição pede que investidores e credores dos países emergentes façam distinções entre tais mercados, o que é um ponto para o governo brasileiro, que, até agora, não adotou medida alguma que o mercado possa julgar agressiva.

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