Instituições discutem plano visando 'desafios do mercado'
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sábado, 19 de dezembro de 1998
Marcos BorgesDesafiosMuniz: Conquistar espaços no mercado mundialGuto Rocha 
Preparar a avicultura paranaense e nacional para os desafios que o mercado impõe ao setor, com a criação de linhas de pesquisas e formação de recursos humanos para as diversas área da avicultura. Com este objetivo a Coordenadoria de Pesquisa e Pós-graduação (CPG) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em conjunto com a Associação dos Avicultores do Paraná (Avipar) e Iapar promoveu ontem em Londrina o painel Perspectivas e Demandas da Avicultura Industrial.
Segundo o professor do curso de Medicina Veterinária da UEL, Ivens Guimarães, o painel faz parte de um programa da CPG que visa integrar a universidade com o setor privado. O painel reuniu um grupo interdisciplinar, com médicos veterinários, zootecnistas, economista, nutricionista, engenheiro e um arquiteto. Com este painel começaremos a delinear projetos para o desenvolvimento de tecnologias específicas que atendam às demandas da avicultura, afirmou.
O presidente da Avipar, Paulo Ferreira Muniz, afirmou que o maior desafio da avicultura é conquistar novos espaços no mercado mundial. Segundo ele, o mercado brasileiro teoricamente atingiu o teto de consumo de carne de aves, com 25 kg/per capita/ano. Muniz observou que o primeiro passo neste sentido já foi dado esta semana, com o anúncio do presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Frangos (Abef), Luiz Fernando Furlan, de que o setor irá investir US$ 5 milhões em campanhas de marketing para divulgar o frango brasileiro em mercados que o produto não tem acesso. Segundo Muniz, outra estratégia que o setor pensa em adotar é a aliança com redes de fast-food e indústrias de outros países.
Muniz disse ainda que o setor também pensa em buscar alianças com fornecedores de insumos, para obter redução de custos de produção e maior produtividade. O setor sempre repassou as reduções de custos obtidas para os consumidores, aumentando a escala de produção e reinvestindo no próprio setor, afirmou. De 1970 para cá, os preços finais do frango ao consumidor recuaram 65%.
O médico veterinário e consultor na área de processamento de alimentos de origem animal, Luiz Carlos Meister, observou que a avicultura brasileira é uma das poucas cadeias produtivas do país com competitividade. O grande sucesso da avicultura é que o setor sabe captar o que o consumidor quer, comentou. Mas ele observou que a avicultura precisa manter constância no seu desenvolvimento para continuar competitiva.
Meister observou que neste aspecto a avicultura brasileira peca por não utilizar mais e melhor a carne de galinhas e galos, que hoje são tratados como descarte. Na Europa, a avicultura já tem tecnologia para transformar este tipo de ave em produtos mais elaborados. A carne destes animais é mais saborosa, afirmou. Segundo ele, o quilo da galinha e do galo hoje é vendido por R$ 0,65, e que se fosse agregado valor à esta carne, este valor poderia ser dobrado.
O consultor observou que a avicultura brasileira, por estar mais concentrada nos três estados do Sul precisa de ter esforço redobrado para garantir a sanidade do plantel. Hoje temos bom nível sanitário, mas é preciso manter este nível e aperfeiçoá-lo, afirmou. Segundo ele, com esta concentração os riscos de uma epidemia são maiores.
Muniz, da Avipar, observou que o Brasil precisa estruturar melhor o setor de defesa sanitária para poder exigir que os produtos importados sejam fiscalizados sanitariamente na entrada, da mesma forma que o produto brasileiro é fiscalizado pelos países importadores.


