Instituições de microcrédito podem fechar as portas no PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de março de 2004
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Banco de Microcrédito do Pequeno Empreendedor do Paraná (BM-PR) lança hoje uma campanha nacional por uma política de apoio ao microcrédito, que gere emprego e renda para os pequenos empreendedores brasileiros. De acordo com a presidente do BM-PR e representante regional da Associação Brasileira de Entidades de Microcrédito (ABCred), Eliane Biazetto, a intenção é fazer com que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) volte a fazer os repasses anuais do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para as 54 entidades existentes no País.
Desde 2002, os repasses foram interrompidos pelo governo federal. As instituições, que não têm fins lucrativos e são gerenciados por voluntários, sobrevivem atualmente com o retorno do capital emprestado. Por conta disso, dos 250 créditos liberados mensalmente pelo BM-PR, por exemplo, depois do corte de recursos do governo federal estão sendo fechados 100 créditos por mês. ''Não é por causa da pequena procura. A procura continua grande. Não temos é recursos para emprestar mais'', disse ela.
A inadimplência no setor é pequena, gira entre 3% e 5%. O dinheiro das instituições é aplicado no fomento de pequenos empreendedores nos setores produtivos e de serviços. Esses empreendedores não conseguem empréstimo no mercado por não terem garantias (imóveis, por exemplo). Para 2002, a previsão era a de que o BNDES emprestasse R$ 2 milhões para o microcrédito. Sem qualquer tipo de justificativa, os repasses foram interrompidos no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
As instituições de microcrédito emprestam entre R$ 300 e R$ 5 mil. Para ter direito, o empreendedor precisa comprovar a atividade. Uma equipe de técnicos vistoria o local e analisa a capacidade de pagamento do empreendedor. Os juros aplicados são de 4,5% ao mês. ''Oitenta por cento dos nossos clientes são empreendedores de fundo de quintal, que precisam da atividade para ter uma renda extra. São empresas familiares'', disse.
Os principais beneficiários dos empréstimos são os ramos de alimentação, vestuário, comércio (pequenos restaurantes de bairro, mercearias e panificadoras). A esperança do setor é o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) formado em Brasília para discutir formas de capitalização das instituições de microcrédito. ''Trabalhamos exatamente com os excluídos do sistema financeiro atual. Não temos para onde correr, senão para o governo federal'', complementou.
O BNDES foi procurado ontem pela Folha. As perguntas foram repassadas para a assessoria de imprensa através de e-mail. Até o fechamento dessa edição, a assessoria não havia dado resposta.


