France PresseEfeito dominóOperadores na Bolsa de Paris, na última quinta-feira: apreensãoAs Bolsas de Valores voltaram a ser varridas por forte turbulência, novamente por influência da crise cambial do Sudeste Asiático. Desta vez, a fonte de preocupação é Hong Kong.
Na quinta-feira, o mercado de ações local mergulhou em baixa de 10,4%, abalado pelo esticão nos juros promovido pelo governo de Hong Kong, para evitar a desvalorização de sua moeda. Atualmente, apenas Hong Kong mantém um regime de câmbio fixo, atrelado ao dólar norte-americano, na região.
O tombo da Bolsa de Hong Kong arrastou as demais Bolsas do mundo - a de São Paulo desvalorizou-se 8,15%. O mercado de ações de Hong Kong reagiu no dia seguinte, com alta de 6,98%, insuficiente, contudo, para afastar o clima de incertezas no sistema financeiro internacional.
O diretor de gestão de renda variável da Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira, acredita que Hong Kong conseguirá impedir a desvalorização da sua moeda. Se isso ocorrer, a situação das Bolsas tende a se normalizar. Mas, ainda que a crise seja rapidamente superada, Pereira entende que os mercados devem oscilar mais acentuadamente. Ele destaca dois pontos principais decorrentes da crise: o risco do investimento em ações aumentou bastante em relação ao dos últimos dias e a situação na Asiá continua indefinida.
Pereira entende que, caso Hong Kong tenha de desvalorizar sua moeda, a economia da China pode ser atingida, o que afetaria a economia mundial. No entanto, ele considera improvável essa hipótese, já que o governo de Hong Kong conta com mais de US$ 80 bilhões de reservas próprias para impedir a desvalorização.
A questão mais preocupante para o Brasil é que a situação das contas externas e fiscais do País é frágil, o que o expõe quase sempre como possível alvo de ataque especulativo quando ocorre uma crise cambial em alguma economia emergente. Entretanto, o nível elevado de reservas e a perspectiva de entrada maciça de recursos por conta da privatização devem fazer com que o real não seja vítima dos especuladores.)
Na semana passada, o Banco Central manteve a TBC (piso do juro) em 1,58% e reduziu a TBAN (teto do juro) de 1,78% para 1,76%. Ainda que tenha diminuído uma das taxas, o mercado aposta que os juros na renda fixa devem continuar estáveis nos próximos meses.

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