Agência Estado
De São Paulo
As incertezas no cenário externo são a principal fonte de instabilidade para o mercado financeiro no momento, afirma o diretor-geral da Banque Nationale de Paris (BNP) Asset Management, André Pires.
Segundo ele, a alta do preço do petróleo e o temor de uma elevação mais forte das taxas de juros norte-americanos – como apontou, na quinta-feira, o presidente do Banco Central americano (FED), Alan Greespan – estão impedindo um melhor desempenho da Bolsa de Valores. Pires entende que, se dependesse apenas do quadro interno, o mercado acionário poderia subir com força.
Ele ressalta três fatores bastante positivos para as Bolsas no momento. O primeiro é o fato de a inflação estar sob controle. Em segundo lugar, a aceleração da atividade econômica deverá permitir que o País cresça mais de 3% este ano, o que deve aumentar a lucratividade das empresas. Por fim, o esforço fiscal do governo é digno de elogios.
Ele estima que o IBovespa poderá atingir 22 mil pontos no fim do ano, o que indica a perspectiva de valorização de 25% em relação à cotação de sexta-feira. Por conta disso, Pires recomenda o investimento em ações, que pode proporcionar rentabilidade interessante ao aplicador.
No cenário interno, Pires aponta apenas um senão: a crise política que se esboça na bancada governista, com a disputa entre PSDB e PFL por maior espaço no Congresso. Ele não acredita que a base de sustentação do governo vá esfacelar-se, mas diz que os investidores vão ficar atentos aos desdobramentos da queda-de-braço entre os parlamentares desses dois partidos.
Pires entende que o dólar deve continuar nos atuais níveis nos próximos meses, pois a expectativa é que o País receba um expressivo volume de recursos no curto prazo. Com isso, a moeda norte-americana tende a oscilar entre R$ 1,75 e R$ 1,80. No fim do ano, o dólar poderá subir um pouco, passando a operar entre R$ 1,85 e R$ 1,90.
Em relação aos juros, ele diz que a tendência das taxas é de queda. A questão é saber quando o Banco Central (BC) vai retomar a trajetória de redução dos juros, hoje em 19% ao ano. As indefinições no cenário externo fizeram com que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantivesse as taxas na semana passada.
Segundo Pires, quando essas incertezas diminuírem, o BC deverá voltar a derrubar as taxas de juros, o que tende a acelerar o crescimento da economia. Ele estima que a taxa Selic possa atingir 17% no fim do ano. Como trabalha com a perspectiva de que os juros recuem, Pires indica os fundos prefixados para o dinheiro que vai ser destinado à renda fixa.Petróleo e EUA seguram mercado, que poderia subir com força se dependesse apenas do quadro interno
Arquivo FolhaDólar deve continuar nos níveis atuais a curto prazoFrance PresseFREIO NA ECONOMIAO presidente do FED, Alan Greenspan, em depoimento no congresso americano na quinta-feira: juro deve subir

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