Instabilidade nas bolsas deve diminuir
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Depois de passar por bruscas oscilações do mês passado, as Bolsas de Valores devem apresentar um comportamento menos instável em agosto. A expectativa é de que ocorra uma acomodação do mercado de ações, que subiu muito este ano. A tendência ainda parece ser de alta, mas nenhum analista acredita na repetição do desempenho do primeiro semestre.
Em agosto, há o vencimento dos contratos de Índice Bovespa (IBovespa) futuro e de opções. Esses eventos podem intensificar a oscilação das Bolsas, por conta da disputa entre os investidores que estão na ponta de compra e os que estão na ponta de venda.
Outro fator de instabilidade para as Bolsas acabou surgindo na sexta-feira: a divulgação do índice de desemprego nos Estados Unidos, o mais baixo desde 1973, causou alguma preocupação no mercado. Os investidores voltaram a temer que o Fed (banco central norte-americano) eleve as taxas de juro, de forma a evitar eventuais pressões inflacionárias causadas pelo aquecimento da economia.
O Comitê de Mercado Aberto da instituição vai reunir-se no dia 19. Se optar pela elevação dos juros, é possível que parte do dinheiro aplicado em ações migre para os títulos de renda fixa norte-americanos.
O vice-presidente de Investimentos do CCF Brasil, Marcelo Giufrida, entende que a valorização da Bolsa no segundo semestre deve ficar acima da variação do CDI (título trocado pelos bancos), mas abaixo do desempenho obtido nos primeiros seis meses do ano. O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, é um pouco mais cauteloso: num horizonte de um ou dois anos, ele aposta que o investimento em ações deve superar a remuneração das aplicações de renda fixa. No curto prazo, porém, o risco desses mercados está maior.


