Depois de passar por bruscas oscilações do mês passado, as Bolsas de Valores devem apresentar um comportamento menos instável em agosto. A expectativa é de que ocorra uma acomodação do mercado de ações, que subiu muito este ano. A tendência ainda parece ser de alta, mas nenhum analista acredita na repetição do desempenho do primeiro semestre.
Em agosto, há o vencimento dos contratos de Índice Bovespa (IBovespa) futuro e de opções. Esses eventos podem intensificar a oscilação das Bolsas, por conta da disputa entre os investidores que estão na ponta de compra e os que estão na ponta de venda.
Outro fator de instabilidade para as Bolsas acabou surgindo na sexta-feira: a divulgação do índice de desemprego nos Estados Unidos, o mais baixo desde 1973, causou alguma preocupação no mercado. Os investidores voltaram a temer que o Fed (banco central norte-americano) eleve as taxas de juro, de forma a evitar eventuais pressões inflacionárias causadas pelo aquecimento da economia.
O Comitê de Mercado Aberto da instituição vai reunir-se no dia 19. Se optar pela elevação dos juros, é possível que parte do dinheiro aplicado em ações migre para os títulos de renda fixa norte-americanos.
O vice-presidente de Investimentos do CCF Brasil, Marcelo Giufrida, entende que a valorização da Bolsa no segundo semestre deve ficar acima da variação do CDI (título trocado pelos bancos), mas abaixo do desempenho obtido nos primeiros seis meses do ano. O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, é um pouco mais cauteloso: num horizonte de um ou dois anos, ele aposta que o investimento em ações deve superar a remuneração das aplicações de renda fixa. ‘‘No curto prazo, porém, o risco desses mercados está maior.’’

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