Com as incertezas causadas no mercado pela moratória de 90 dias decretada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), a já elevada instabilidade nas Bolsas de Valores tende a aumentar, reforçando a renda fixa como a opção mais indicada para o investidor. Se o impasse prosseguir, é possível ainda que os juros caiam ainda mais lentamente do que se esperava.
O principal temor do mercado é que a decisão de Itamar prejudique o já conturbado processo de ajuste fiscal, considerado indispensável para que o País recupere a credibilidade com a comunidade internacional. Além disso, existe o receio de que a decisão de Itamar seja seguida por outros governadores, diz o diretor de Tesouraria do Banco BBA, Luiz Fernando Figueiredo.
Nesse cenário de dúvidas, a ausência do investidor estrangeiro nas Bolsas de Valores brasileiras tende a prolongar-se. O capital externo, fundamental para a recuperação das ações brasileiras, deve esperar pela aprovação das medidas de ajuste fiscal antes de retornar com mais apetite para o País, diz Figueiredo.
E, segundo o administrador de recursos da Oryx Asset Management, Gabriel Jafet, mesmo que o capital estrangeiro volte ao Brasil (o que não deve ocorrer no curto prazo), o mais provável é que esse dinheiro busque primeiro a renda fixa, por conta dos juros elevados.
Jafet diz que a dificuldade do governo em obter o ajuste fiscal é o principal entrave ao retorno do investidor estrangeiro ao País, mas não o único. Há muitos analistas que entendem que o Brasil terá de desvalorizar o real este ano. Essa incerteza também contribui para afugentar os recursos externos do mercado doméstico, destaca ele. O administrador da Oryx diz que, em 99, é até possível que o desempenho das Bolsas supere o da renda fixa, mas o risco do investimento em ações deverá ser muito alto, ou seja, a instabilidade deverá marcar o comportamento dos mercados acionários também este ano.
Figueiredo faz análise parecida: ele entende que, como as ações estão muito baratas, dificilmente as Bolsas ficarão atrás da renda fixa em 99, mas a instabilidade deverá ser muito elevada.
A renda fixa, por sua vez, deve continuar pagando juros muito elevados. De acordo com Figueiredo, os juros continuarão a cair gradualmente. Hoje, a taxa básica da economia está em 29% ao ano. E, como a inflação está próxima de zero, o rendimento real de aplicações como fundos ou CDBs é muito elevado.

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