Instabilidade mundial encarece resseguros
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segunda-feira, 14 de abril de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba As empresas brasileiras exportadoras e importadoras ainda vão sofrer com os efeitos da guerra dos Estados Unidos ao Iraque, apesar da conquista do território pelas forças norte-americanas. Desde janeiro, o IRB Brasil Resseguros, estatal que dá cobertura aos seguros das empresas privadas, suspendeu a cobertura automática para danos causados por atos de terrorismo ou decorrentes de riscos políticos, de crédito e de garantia financeira. Não há previsão para o retorno do benefício, que ainda pode ser negociado, mas com valores e contratos diferenciados.
''A situação de normalidade ainda vai demorar um pouco a se restabelecer'', afirmou o novo presidente do IRB, Lídio Duarte, que esteve ontem em Curitiba com representantes de seguradoras. Esse foi o primeiro contato dele com o mercado depois de assumir o cargo, em 21 de março, ao qual foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O IRB aguarda a análise da situação pós-guerra no Iraque que está sendo feita pelo Comitê de Análise de Riscos do Lloyd's, banco inglês que é referência mundial do setor. Se a decisão do sindicato que forma o Lloyd's for aumentar preços e restringir as coberturas, os contratos de riscos aeronáuticos, cascos (navios) e transportes (mercadorias) no Brasil serão afetados. ''Ainda há todo um aparato militar e várias restrições de navegação aérea e marítima e para o uso de determinadas vias'', explicou.
Além do risco de exportar para as regiões de conflito, as empresas brasileiras estão pagando 20% a mais no seguro de transportes, seja qual for o destino, reflexo dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O aumento das taxas de cobertura foi um dos motivos que levou o IRB a faturar R$ 2,4 bilhões em 2002, 46% a mais do que em 2001. Os outros fatores, segundo Duarte, foram a alta do câmbio e o aumento dos negócios internacionais. Ele disse que o órgão pode crescer 20% neste ano, ancorado ainda por esses fatores.
A atividade de resseguro no Brasil é monopólio do IRB. Uma ação judicial, movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), impediu a privatização do órgão, que deveria ter ocorrido em 1999. Segundo Duarte, esse assunto deve ser rediscutido até o final do ano. ''Não acho que a privatização seja necessária. O IRB tem condições de permanecer estatal, de forma competitiva'', afirmou.
No entanto, devem ocorrer mudanças no IRB, explicou Duarte. Isso porque o Congresso aprovou, há 15 dias, a regulamentação do sistema financeiro por várias leis complementares. A sociedade do IRB é dividida igualmente entre o Tesouro Nacional e um pool de dez seguradoras nacionais, mas o controle é do Estado.


