Instabilidade faz o investidor externo tirar R$ 1,6 bi da bolsa
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quarta-feira, 24 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
As oscilações da bolsa eletrônica Nasdaq e as incertezas em torno do ritmo de desaceleração da economia dos Estados Unidos levaram os investidores estrangeiros a retirar R$ 1,66 bilhão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) entre janeiro e a terceira semana de maio. O temor dos investidores neste ano é maior do que no ano passado quando, mesmo depois da desvalorização cambial, o saldo dos investimentos estrangeiros foi positivo em R$ 3,2 bilhões no mesmo período.
De acordo com analistas de mercado, a tendência engloba os países emergentes como um todo. Está havendo um vôo para o rendimento, definiu o diretor de Renda Variável do Banco BBA, Fernando Iunes.
Segundo ele, o aumento dos juros americanos torna mais atrativo o investimento nos títulos de renda fixa do país, considerados de risco zero pelo mercado (isto é, a chance de não serem honrados é baixíssima). A elevação dos juros de fed funds fez a remuneração dos T-Bonds de 30 anos subir para entre 6,5% e 7% ao ano. Essa remuneração melhor nos Estados Unidos, aliada ao risco zero, leva os investidores a deixar os emergentes, onde a percepção de risco é maior, explicou Iunes. Comportamento semelhante tiveram os investidores no mercado brasileiro, trocando o risco elevado das ações por renda fixa.
A deterioração do cenário externo nas últimas semanas, provocada pelo aumento das dúvidas em relação ao comportamento do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na definição das taxas de juros, influenciou fortemente o investidor estrangeiro que tinha dinheiro aplicado na Bovespa. Prova disso é que, nas três primeiras semanas de maio, deixaram a bolsa paulista R$ 631,7 milhões, valor superior às saídas registradas durante todo o mês de abril R$ 573,8 milhões.
Operadores disseram que as retiradas do mercado acionário brasileiro foram lideradas por fundos de hedge, como o administrado pelo megainvestidor George Soros, e fundos de investimento cujas carteiras são compostas por ativos de mercados emergentes. De acordo com um profissional do mercado, Soros teria, sozinho, liquidado bilhões de dólares em ações do setor brasileiro de telecomunicações.
Foram esses investidores que derrubaram a bolsa brasileira nas últimas semanas, disse o operador-chefe de Renda Variável do Lloyds TSB, Pedro Thomazoni. Apesar da valorização de 4,26% no pregão de ontem, a bolsa paulista acumula perdas de 16,3% no ano.


