Instabilidade externa volta a derrubar bolsas
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Agência Estado 
O mercado financeiro, principalmente o de ações, não traduziu em números a boa receptividade à decisão do Banco Central que endossou as expectativas do mercado e trouxe a Taxa Básica do Banco Central (TBC), o piso de juros, de 21,75% ao ano para 21%. A Bolsa de São Paulo manteve a tendência de queda ao fechar o pregão com baixa de 3,33%, em pregão que movimentou R$ 496,733 milhões. Embora 6,91% superior ao da véspera, o volume de negócios é considerado baixo e insuficiente para colocar o mercado de ações em trajetória consistente de valorização.
Embora as condições domésticas, como a ascensão do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas eleitorais e o persistente declínio dos juros, se estejam tornando mais favoráveis, as Bolsas de Valores estão reagindo mais a fatores de inquietação procedentes do exterior. Ontem, mais uma vez, operadores atribuíram o fechamento negativo do mercado de ações às incertezas alimentadas pela continuidade de desvalorização do iene, a moeda japonesa, diante do dólar. A moeda japonesa recuou a 142 ienes por dólar, sem que os bancos centrais dos Estados Unidos ou do Japão interviessem no mercado, ou com a compra de ienes ou a venda de dólares, para dar sustentação à moeda nipônica.
A avaliação dos analistas é que a instabilidade nos mercados domésticos, sem definição de tendência, será mantida enquanto não clarear uma perspectiva de solução da crise nas economias asiáticas. O motivo é que o capital estrangeiro teme incertezas e, sem a participação dele nos pregões, não se espera uma valorização mais fortes das ações e expansão dos negócios.
As ações da Telebrás e Eletrobrás, duas das principais blue chips do mercado, tiveram fortes baixas. Telebrás PN recuou 3,51% e Eletrobrás PNB foi a segunda maior queda do Índice Bovespa, com desvalorização de 8,33%.


