Brasília- As turbulências nos mercados financeiros e a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) deverão afetar o crédito no Brasil e fazer com que as taxas de juros ao consumidor caiam em um ritmo menor.
Um dos motivos para isso é que o custo de captação dos bancos está mais elevado e há menos espaço para a redução dos spreads - diferença entre o custo da captação das instituições financeiras e a taxa efetiva cobrada dos clientes.
''É de se esperar que ela não caia no mesmo ritmo. (...) A margem para novas reduções fica bastante reduzida'', afirmou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
A taxa média geral (pessoas físicas e empresas) de juros terminou 2007 em 33,8% ao ano, uma redução de 6 pontos percentuais em 12 meses. Já os spreads caíram 4,8 pontos, para 22,4 pontos percentuais.
Segundo dados do BC, a taxa de captação tem apresentado alta desde a intensificação das turbulências nos mercados financeiros. Em dezembro, a elevação foi de 0,3 ponto percentual, a terceira consecutiva. No ano, a queda foi de 1,1 ponto percentual.
Com um custo de captação mais elevado, há menos espaço para reduzir o spread - o que daria uma taxa ao consumidor menor.
Já o IOF poderá afetar o ritmo de expansão do volume de crédito. Em 2007, o crescimento foi de 27,3%, para R$ 932,311 bilhões. Lopes espera que nesse ano o desempenho seja menor.
''O BC não trabalha com projeções, mas as instituições financeiras acreditam em um crescimento entre 20% e 25%'', afirmou. Em 2007, o volume de crédito ficou equivalente a 34,7% do PIB (Produto Interno Bruto), a taxa mais elevada desde maio de 1995, quando ficou em 35,1%.

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