A missão negociadora do Fundo Monetário Internacional (FMI) embarcou ontem de volta a Washington, após duas semanas no Brasil, sem ter chegado a um acordo com a equipe econômica em torno do cenário para a economia brasileira neste ano. A dificuldade encontrada pelas duas equipes técnicas foi estabelecer o nível em que se estabilizará a cotação do dólar ante o real. ‘‘Mais do que técnica, é preciso arte para se chegar a uma estimativa razoável’’, disse ontem o secretário de Política Econômica, Amaury Bier. ‘‘O câmbio ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio, o mercado está volátil.’’
Ele afirmou, porém, que as negociações não estão atrasadas, e que por enquanto ‘‘não há motivo’’ para se alterar o prazo para a liberação da segunda parcela do empréstimo do FMI, prevista para o final de março.
Bier chefiará a missão técnica brasileira que embarcará a Washington amanhã para tentar acelerar o fechamento da revisão dos termos do acordo brasileiro com o FMI. ‘‘É para dar a maior celeridade possível’’, explicou o secretário. ‘‘Há procedimentos internos do FMI que ainda precisam ser completados e, se estivermos lá, eles caminharão mais rápido.’’ O secretário espera ficar nos Estados Unidos por uma semana ou pouco mais, mas não tem certeza de quando a tarefa estará concluída. Da última vez que foi chefiando uma missão, Bier esperava ficar uma semana, mas as negociações se prolongaram por 20 dias. Ele disse que não estão descartados contatos com outras autoridades dos EUA.
As medidas adicionais para o ajuste fiscal deverão estar definidas no início da próxima semana, segundo informou Bier. ‘‘Elas deverão estar fechadas, e nós vamos apresentá-las ao FMI’’, informou. O secretário não soube, porém, informar quando as medidas serão anunciadas à população. ‘‘Não haverá pacote de carnaval’’, disse, repetindo a principal afirmativa das autoridades econômicas e do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso nos últimos dias.
Bier admitiu que os cenários econômicos para 99 ainda não estão concluídos. Sem definir a evolução do câmbio, não é possível estimar com segurança qual será o nível de inflação deste ano. Sem saber qual será a inflação, não se sabe a trajetória das taxas de juros e, sem ela, não é possível calcular o déficit nominal, que é o principal indicador da área fiscal do governo. ‘‘Ainda estamos definindo os detalhes do cenário’’, disse o secretário. ‘‘O trabalho está avançado, estamos muito próximos de um cenário definitivo.’’Dida Sampaio/Agência EstadoMercado volátilAmaury Bier: ‘‘O câmbio ainda não achou o ponto de equilíbrio’’Agência Estado

mockup