Instabilidade cambial deve elevar preços dos insumos
A instabilidade cambial deve puxar os preços dos insumos a serem usados na próxima safra. Os reajustes tendem a começar em julho, período em que os produtores começam a planejar e adquirir agroquímicos para plantio do verão, safra 2001/2002.
As maiores altas devem ocorrer nos defensivos, principalmente herbicida, o mais usado entre os agrotóxicos. É que o princípio ativo desses produtos levam componentes importados e alguns desses itens são derivados de petróleo, também sujeito a altas de preços no segundo semestre. Em segundo lugar vêm os fertilizantes minerais e os corretivos, no caso o calcário.
Além da ascensão do câmbio, motivo mais do que suficiente para reajustes de preços, há variáveis de ordem política e macroeconômicas para altas - neste caso, preventivas - dos insumos, e razões relacionadas com o transporte.
Essas variáveis são basicamente instabilidade política no Brasil e na Argentina - um plano de mudanças mais radicais na Argentina, já configurado e, finalmente a previsão favorável a uma boa performance no mercado mundial das commodities agrícolas. Tudo isso converge para aumento nos preços dos insumos. No caso da Argentina o plano da megatroca de títulos pode não dar certo mas o ministro Cavallo, da Economia, terá motivos para uma moratória, sempre negada.
Todo o cenário de instabilidade leva à tomada de uma posição defensiva por parte dos fornecedores. As indústrias multinacionais de agroquímicos não teriam atitude diferentes. No caso de uma mudança radical no câmbio, elas estariam protegidas. Esta postura é mais do que comum entre as empresas globalizadas, como antítodo diante da instabilidade da moeda.
Com base nesse cenário, é quase certo que agricultores e cooperativas prefiram antecipar suas compras de insumos para a próxima safra. O indício mais contundente de que isto tende a ocorrer são as evoluções extemporâneas que já ocorrem em alguns setores.
O swap argentino
O economista argentino Miguel Broda disse ontem no Rio que o swap (troca) argentino será crucial para atender à necessidade de financiamento do País nos próximos meses e para o êxito do plano Cavallo. Segundo ele o swap, cujo valor só será conhecido na segunda-feira, será um sucesso se conseguir uma troca entre US$ 15 bilhões e US$ 18 bilhões de dívidas que vencem nos próximos anos.
Para Broda, esse montante estará assegurado por agentes do próprio mercado argentino e a dúvida é a adesão de investidores estrangeiros na troca dos restantes US$ 2 bilhões a US$ 5 bilhões. Parte da história argentina se resolverá nos próximos dois dias, disse.
O economista falou sobre a crise argentina para empresários em seminário da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) do seu País voltará a crescer, em taxa de 2,5%, no segundo semestre. Essa expansão garantirá uma expansão da economia argentina de 0,4% neste ano, ainda segundo Broda.





