Curitiba - A instabilidade da economia e o temor de uma disparada do dólar estão fazendo com que cooperativas e revendas antecipem a compra de defensivos agrícolas, que serão aplicados nas lavouras na próxima safra de verão. No período janeiro a abril, as entregas no Paraná atingiram 653 mil toneladas de defensivos, um volume 37% maior em relação ao mesmo período do ano passado, informou a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
Apesar da antecipação, a técnica não acredita em elevação nas vendas de defensivos em todo o Estado. Segundo Margorete, a comercialização desses produtos deve repetir o desempenho dos últimos dois anos, quando foram aplicados em torno de 2,4 milhões de toneladas de agrotóxicos nas lavouras paranaenses.
O Deral constatou que está havendo uma antecipação nas compras diante do cenário político indefinido, que faz a cotação do dólar subir no mercado. A valorização do câmbio favorece o comprador de defensivos na medida em que a relação de troca fica mais favorável. Ou seja, o preço da soja e do milho reflete a valorização desses produtos em comparação com o preço do fertilizante.
O problema é que os produtores ainda não definiram o que vão plantar e por isso as vendas ainda não deslancharam no varejo - diz Flávio Turra, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). ‘‘Há muitas encomendas, mas as vendas ainda não estão fechadas’’, destaca.

mockup