Brasília - Embora tenha registrado no primeiro semestre do ano um déficit de R$ 11,969 bilhões, o desempenho da Previdência Social foi atípico no mês de junho. Pela primeira vez na história, mesmo gastando mais com o pagamento dos benefícios, que sofreram o impacto de 8,3% do reajuste do salário mínimo e aumento de 4,53% nas aposentadorias e pensões acima do mínimo, o déficit do mês ficou inferior ao verificado em maio. Em junho, as contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ficaram no vermelho em R$ 1,585 bilhão, enquanto em maio o resultado foi negativo em R$ 1,819 bilhão.
De acordo com os números divulgados ontem pelo secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, no primeiro semestre de 2003 o déficit foi de R$ 10,346 bilhões. Em relação ao resultado dos primeiros seis meses deste ano, o rombo cresceu 15,7%. A boa notícia para o resultado semestral é que a taxa de crescimento do déficit vem caindo. A variação chegou a 43,8% de 2001 para 2002. O porcentual caiu para 19,3% na comparação entre 2002 e 2003 e baixou ainda mais este ano.
A queda na taxa de crescimento deve-se, segundo o secretário, ao melhor desempenho do mercado de trabalho e ao excepcional crescimento da arrecadação do INSS, que apresentou taxa real de 12,8% no período. Schwarzer também atribuiu o desempenho atípico do mês de junho à arrecadação: R$ 7,899 bilhões, a maior arrecadação líquida para o mês da história. Foi graças ao crescimento real de 8% na arrecadação de um mês para o outro que o INSS conseguiu a proeza de, mesmo gastando mais com o pagamento dos benefícios previdenciários, ver a sua despesa cair de um mês para o outro.
Em junho também foi surpreendente a recuperação de créditos, que praticamente dobrou, passando de R$ 524,2 milhões em maio para R$ 1,027 bilhão em junho. Para a Previdência, esse resultado confirma os dados positivos da economia brasileira e significa que as empresas estão tendo fôlego não apenas para manter suas contribuições em dia como também para começar a pagar suas dívidas. ''Não podemos contar com esse salto na recuperação de crédito todos os meses'', advertiu o secretário. Ele disse que a meta mensal na recuperação de crédito, já contando com a execução judicial e a cobrança administrativa, é de algo em torno de R$ 500 milhões.
Schwarzer ressaltou que os números de junho estão acima da média do semestre. Mesmo otimista com os dados, o secretário disse que, na melhor das hipóteses, os resultados do INSS vão voltar, no segundo semestre, aos mesmos níveis de 2002, com déficits mensais da ordem de R$ 1,4 bilhão.
A estimativa da Previdência é de que o déficit acumulado este ano alcance R$ 29,7 bilhões. Esse cálculo ainda não incorpora nenhum incremento de despesa que venha a ocorrer por conta do acordo para a correção da defasagem no valor das aposentadorias e pagamento dos atrasados aos aposentados, anunciado pelo presidente Lula na sexta-feira.

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