Inspeção veicular pode aquecer autopeças
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Começou ontem, no Centro de Exposições de Curitiba, no Parque Barigui, a Autopar - 2 Feira Sul Brasileira de Fornecedores da Indústria Automotiva. O evento é dirigido a empresários e profissionais do setor de autopeças e de reparação de veículos. A exposição, que vai até domingo, reúne 100 indústrias de autopeças, que estarão oferecendo produtos para lojistas, distribuidores, e oficinas mecânicas, elétricas e de funilaria.
Empresários do ramo da reparação de veículos e do comércio de autopeças já vislumbram a obrigatoriedade da inspeção veicular estabelecida pelo Código de Trânsito Brasileiro como uma alternativa para aquecer o mercado, apesar de sua implementação estar prevista para 2005.
O presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Paraná (Sindirepa), Wilson Bill, estima um incremento de 20% nos negócios. A tendência é aquecer e estabilizar o mercado, mas ''dentro da realidade brasileira'', afirmou ele, ponderando a necessidade de oferta de linhas de crédito, a juros baixos, para que o consumidor tenha acesso à manutenção preventiva. Hoje o mercado de reparação está retraído porque, com a queda do poder aquisitivo, o consumidor só leva o carro para o conserto em último caso.
A expectativa de Bill com relação à feira é quanto a oportunidade dos empresários poderem estreitar o relacionamento com fornecedores e com os profissionais que atuam no setor.
O mercado também está difícil para as indústrias de autopeças, que amargam a queda nas vendas das montadoras de veículos. A Renault e a Volkwagen/Audi reduziram em 14% e 20% as vendas no primeiro semestre deste ano. Para o diretor do Sindicato Nacional das Indústrias de Autopeças e Componentes (Sindipeças) no Paraná, Benedicto Krubusly, o setor merece mais atenção por parte do governo do Estado já que foi o segundo item da pauta de exportações paranaenses no primeiro semestre deste ano, contribuindo para o superávit recorde da balança comercial do Paraná, que cresceu 427% em relação ao mesmo período de 2002.
No primeiro semestre deste ano, o Paraná foi o quarto estado com maior volume de vendas no exterior, totalizando US$ 3,355 bilhões. A soja respondeu por 19,5% desse total, ou o equivalente a US$ 663 milhões, e o setor automobilístico por 16%, ou US$ 537 milhões. ''Esse segmento, genuinamente paranaense, merece, no mínimo, respeito e consideração. Não é mais possível aceitar colocações de que as indústrias montadoras têm que abrir suas caixas-pretas'', desabafou Krubusly, referindo-se às recentes declarações do governador Roberto Requião (PMDB).


