Proprietários de veículos a gás têm perdido noites de sono por preocupação. Quando não é a falta do combustível no posto, são os analisadores de gás - equipamentos utilizados para fazer a inspeção periódica obrigatória exigida a cada ano pelo Departamento Nacional de Trânsito (Detran) por critérios de segurança - que estão indisponíveis.
Londrina tem dois organismos de inspeção autorizados pelo Inmetro, a Aval e a Transtec, no entanto, nas duas últimas semanas, os dois estavam sem os equipamentos. ''Fiquei de mãos atadas pois tenho uma S10 a gás que uso para trabalhar e está com a inspeção vencida, como não tenho o que fazer, estou circulando com ela mesmo assim'', conta Deoclides Pelais Teodoro.
''Se não há condições de fazer a inspeção, que haja entre o Detran e o órgão de inspeção uma autorização para circular até a regularização das máquinas para não passarmos por esse drama'', sugere. Pelais reclama ainda que mesmo com todos os impostos em dia, ficou proibido de circular com seu carro.
Ele tem mais três veículos a gás, mas apenas a caminhonete está com a inspeção anual vencida. Segundo conta, optou por veículos com este combustível por oferecer economia maior. ''O custo é menor e o que a S-10 faria 5,5 km com álcool, faz 10 km com um metro cúbico de gás.
O taxista Orlando Silveira de Paula Júnior também teve problemas para conseguir realizar a inspeção de seu carro devido à suspensão de atendimento do posto de gás durante quase quatro meses no início do ano. ''Como o cilindro tem de estar cheio para fazer a inspeção, fiquei quase três meses de mãos atadas'', conta. ''A economia e manutenção são muito boas, mas não compensam a dor de cabeça. Não compro carro a gás nunca mais'', afirma. Situação semelhante passou o taxista Sebastião Felix, que há dois anos tem um carro a gás e ficou impedido de circular porque precisava fazer a inspeção e o posto estava fechado.
O gerente da Aval, Fausto Martins Júnior, explica que a máquina ficou uma semana parada e desde a última sexta-feira está funcionando. A oficial foi para a manutenção e a auxiliar, que estava na unidade de Sorocaba, apresentou defeitos assim que chegou à empresa de Londrina, então tiveram de encaminhar para o reparo. O analisador principal ainda vai demorar cerca de quinze dias para ficar pronto. Aproximadamente 15 clientes ficaram na lista de espera para a fiscalização e estão sendo liberados aos poucos, visto que cada inspeção leva em torno de 1h30 para ser concluída.
A Transtec informou à FOLHA que o seu analisador à gás está sendo calibrado em São Paulo - manutenção que deve acontecer a cada seis meses -, e por isso estão com a inspeção suspensa há duas semanas. Provavelmente, a partir de segunda-feira o atendimento será regularizado.
De acordo com a assessoria do Detran-Curitiba, a correspondência de impedimento para circulação só é enviada ao proprietário de veículo à gás quando o prazo para a inspeção já está vencido. O ideal, portanto, é se adiantar antes que o prazo expire porque o Detran não pode liberar o veículo para trafegar com a inspeção vencida por critérios de segurança.
Outra solução é deixar o carro parado até que as empresas locais regularizem o funcionamento ou deslocá-lo para a cidade mais próxima, mas sem trafegar. Maringá é o município mais próximo a Londrina que tem três empresas autorizadas a realizar a inspeção.
O certificado de inspeção/CSV (Certificado de Segurança Veicular) é necessário para o licenciamento do veículo junto ao Detran.

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