Insatisfação crônica gera a falta de tempo
O psicólogo Júlio César Arrebola define como ''insatisfação crônica'' a falta de tempo generalizada que sente a sociedade moderna, ou seja, aquela ansiedade de querer sempre mais ou a busca de objetivos cada vez mais ousados. Ele compara que o ritmo da vida atual é bem diferente de 30 ou 40 anos atrás. ''A velocidade das informações traz as necessidades na mesma velocidade; os mecanismos sociais, como a internet e o telefone, por exemplo, criam os processos de aceleração''.
Arrebola diz que antes, o estudante ia à biblioteca para fazer um trabalho de escola e hoje ele vai ao computador. ''O aluno tem o mundo inteiro à sua disposição, quer dizer, ele precisa de mais tempo para selecionar as informações que vai usar''. O psicólogo afirma também que este ritmo acelerado pode causar problemas de saúde, em especial o estresse. ''A vida perdeu aquele ritmo calmo e tranquilo. Hoje a pessoa nunca está satisfeita: quanto mais tem, mais quer, e para conseguir mais, precisa acelerar''.
Arrebola sugere uma espécie de volta ao tempo para reverter este processo de aceleração. ''É preciso valorizar o relacionamento pessoal, conversar com os pais, avós, tios, vizinhos, andar a pé, de bicileta, soltar pipa, em resumo, praticar essas atividades antigas''. (E.A.)





