Insatisfação com a venda de pães por peso
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sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - A venda do pão francês por peso, iniciada em 20 de outubro, parece não ter agradado ao consumidor brasileiro, já habituado a pedir um certo número de pães na padaria. Em enquete do Portal Estadão, a maioria foi contra a medida do Inmetro. Dos 530 internautas que responderam à pergunta ''Você está satisfeito com a venda do pãozinho por peso, e não mais por unidade?'', 339 se mostraram insatisfeitos com a mudança. Entre as principais reclamações estão o aumento do gasto das famílias. ''Tenho 4 pessoas para tomar café de manhã, e os R$ 0,80 com que costumava comprá-los não são mais suficientes. Estou gastando em média R$ 0,96'', afirma Taro Miura, de Jacareí.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), Alexandre Pereira, a mudança foi feita em benefício do consumidor, que ''está pagando o que leva''. Na venda por unidade, a lei exigia que todos os pães pesassem 50 gramas, o que, segundo ele, não ocorria. Segundo Alexandre, a diferença no preço se dá porque agora o consumidor paga o preço real por um pão de 50 gramas, que antes poderia ter 40g e custar o mesmo.''
Os consumidores também reclamam da falta de tabelamento no preço do quilo. ''Os comerciantes aproveitaram essa nova determinação para aumentar o valor do produto'', afirma Cristiano Araújo, de São Paulo. O preço do pão não é tabelado desde 1989. Atualmente, o consumidor paga de R$ 4 a R$ 6 pelo quilo do pão. Segundo Pereira, a associação não pensa em tabelamento. ''A diferença no preço beneficia o consumidor, pois incentiva as padarias a se modernizarem para oferecer um produto melhor.''
A venda por peso traz outra desconfiança: estariam as padarias fabricando um pão de qualidade inferior, porém mais pesado? Evandro de Sousa Campos, de Oliveira (MG) acredita que sim. ''As padarias estão deixando o pão mais branco (mais cru) para ganharem no peso'', diz, apoiado por Reinaldo Casagrande, de São José dos Campos.
Antero Pereira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan) e da Associação dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Aipan), discorda. ''Não acredito nisso, pois o maior patrimônio de uma padaria é o consumidor.'' Apesar de a maioria ser contra a mudança, alguns leitores se mostraram satisfeitos. ''Quem sabe eles finalmente parem de fazer aqueles pães enormes, completamente ocos, para enganar os clientes. As padarias vão ter que competir na qualidade do produto e não mais no tamanho'', diz Roberto Santos, de Castilho (SP).
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado do Paraná, Joaquim Cancela Gonçalves a nova modalidade de venda de pão trouxe mais transparência ao setor, mas acontece que ''maus empresários aproveitaram o momento e aumentaram o preço do pão, o que é inaceitável''.
Cancela enfatiza que todo o consumidor tem que ser fiscal do seu dinheiro, deve cobrar explicações no estabelecimento onde compra, ''porque não há justificativa para o reajuste do preço pela simples mudança do sistema''. Ele recomenda atenção para a qualidade do pão. Se o consumidor perceber que houve aumento no preço ou que o pão está com mais massa deve trocar de estabelecimento e denunciar ao Instituto de Pesos e Medidas (Ipem).


