A inflação de fevereiro ficou em 1,26% e é a mais alta desde junho de 1996, de acordo com cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O índice praticamente dobrou em relação ao mês anterior, que foi de 0,65% e já demonstra o impacto da desvalorização cambial sobre os preços para o consumidor final. Em janeiro, a alta refletia basicamente os aumentos na indústria.
O resultado foi puxado pelo desempenho do grupo de alimentos que teve em fevereiro alta de 2,92%, quase o mesmo resultado alcançado durante todo o ano passado, de 3,09%. Com peso de 31% na elaboração do INPC, o setor de alimentos é o que mais influencia a inflação por este índice. ‘‘Tivemos uma grande contaminação pela maxidesvalorização no mês passado’’, diz Marcia Quintslr, chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE.
Ela acredita que os efeitos do repasse aos preços do varejo ainda sejam sentidos nos meses de março e abril. Mas os técnicos ainda não sabem se a indústria repassará todo o seu aumento de custos ao consumo, até porque atualmente não há demanda que sustente uma decisão como esta. ‘‘Estamos optando por não fazer estimativas para março porque a conjuntura ainda é bastante instável’’, diz Marcia.
Em meio ao resultado negativo, há duas boas notícias: pelos dados coletados nos últimos meses, não há indícios de indexação da inflação a qualquer fator, nem mesmo com relação ao preço dos combustíveis. Por isso, o IBGE prevê que o reajuste nos combustíveis tenha impacto não superior a 0,05 ponto percentual no INPC de março. ‘‘Antes, na época de inflação alta, não era somente o combustível um agente indexador, mas também a energia elétrica e todos os outros itens que influenciassem os custos de produção’’, lembra.
Calculado pelo IBGE desde 1979, o INPC mede a inflação com base no consumo médio de famílias com renda mensal de um a oito salários mínimos. Por localidade, são coletados dados em nove regiões metropolitanas do País (Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Goiânia, Belém, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife). A variação mais baixa (0,78%) foi registrada em Salvador e a mais alta em Porto Alegre e Recife (1,69%).

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