Inovatec apresenta universidades ao setor produtivo
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Estreitar as relações entre as universidades e centros de pesquisa com o setor produtivo, gerando tecnologia e fomentando a economia de maneira efetiva para a população. Este é o principal objetivo da Feira Paranaense de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Centros de Pesquisa e Universidades (Inovatec), que iniciou ontem e segue até hoje à noite no Hotel Sumatra, em Londrina. A abertura do evento contou com a presença do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff, representantes da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Universidade Estadual de Londrina (Uel), entre outras entidades.
Cerca de 200 empresários da cidade e região devem visitar o local o conhecer os trabalhos de pesquisa, projetos e protótipos desenvolvidos por 12 instituições do Estado, entre elas a UEL, Instituo Agronômico do Paraná (Iapar), Sebrae, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e Pontifícia Universidade Católica (PUC). Grandes áreas reúnem novidades tecnológicas dos segmentos de saúde, engenharia, biotecnologia, construção civil, alimentos e tecnologia da informação e comunicação. O principal intuito da Inovatec é desenvolver um ambiente de negócios com foco na demanda dos setores industriais.
De acordo com a pró-reitora de extensão da UEL, Cristiane Cordeiro Nascimento, muitos empresários ainda não têm o costume de procurar inovação tecnológica junto às universidades. "Eles ainda têm um pouco de receio, acham que as entidades são muito burocráticas. Porém, a partir da Lei de Inovação, regulamentada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia, isso foi facilitado e hoje podemos tranquilamente trabalhar com uma parceria público-privada. Isso é importante pois se o conhecimento fica restrito às universidades, a indústria não gera competitividade", explicou ela.
O diretor de negócios, tecnologia e inovação da Ciser Parafusos e Porcas, de Joinville (SC), Guido Galahassi, apresentou ontem aos participantes do evento uma palestra sobre o desafio de transformar ciência em resultados. "Não existe uma fórmula, mas existe um processo. Dentro da indústria é difícil desenvolver novas tecnologias devido aos altos custos. Quando o empresário entende que a busca do conhecimento é necessária, isso acontece por intermédio das academias", salientou ele à FOLHA.
No caso da empresa de Galahassi, a busca junto às universidades do Sul do País foi na direção da nanotecnologia ainda pouco difundida no Brasil além da mecânica e eletrônica. "Se fossemos utilizar recursos próprios, o processo seria longo, com altos investimentos e muitos riscos. A parceria com as universidades diminuiu os riscos e a aplicação de verbas", relembrou ele.
Por fim, o diretor da Ciser citou casos de países como Itália e Taiwan, que, segundo ele, possuem um conceito "mais robusto" em termos de pesquisa aplicada. Galahassi disse que as universidades brasileiras, principalmente as públicas, ainda não entenderam a importância deste tipo de trabalho para o desenvolvimento do País. "A pesquisa nestas universidades ainda é mais voltada à ciência pura, que acaba ou não sendo utilizada. Visitei a Universidade de Padova, na Itália, que possui divisões que trabalham com grupos de projetos voltados exclusivamente para as indústrias. Com isso, o desenvolvimento do setor produtivo é muito mais acelerado. O Brasil precisa seguir este caminho", complementou.


