Ribeirão Preto – Os expositores da 23ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow) apostaram em novidades para alavancar a produtividade e atrair clientes em meio ao cenário econômico nebuloso. Nos estandes em Ribeirão Preto há novas linhas de equipamentos e máquinas que prometem benefícios como reduzir o consumo de combustível, ter menor custo de manutenção e ampliar a área de cobertura.

Com propostas para atender do pequeno ao grande produtor, há até máquinas produzidas fora do País, que chegam ao preço de R$ 2 milhões e mesmo assim foram vendidas no primeiro dia da feira. É o caso da plantadeira Quadtrac 550, que a Case IH levou dos Estados Unidos a Ribeirão e que foi comprada por um grande produtor da Bahia. Com quatro esteiras de tração independentes, a gigante diminui a compactação do solo, não dá solavancos diante de oscilações e permite uma maior cobertura da área plantada em um trajeto apenas.

De tecnologia nacional, a Case oferece a colhedora de cana de açúcar A8800 (modelo 2016), na qual investiu R$ 40 milhões com o desenvolvimento do produto e fez 42 melhorias, e as colheitadeiras Axial-Flow Série 130, além da nova linha de tratores Puma 230. As evoluções permitem, por exemplo, que o agricultor troque o motor mecânico pelo eletrônico, o que facilita o mapeamento de produtividade de cada pedaço da propriedade rural. Também favorecem a produtividade em até 10% e a economia de até 11% de combustível. Conforme a marca, a tecnologia permite o aumento da receita do produtor pela redução do desperdício.

Também para o setor sucroalcooleiro, a TMA apresentou na feira a primeira transplantadora de mudas brotadas totalmente automatizada, a MPB 6.500. Segundo a empresa, atende a legislação trabalhista por não precisar de mão de obra em frente à máquina. A autonomia é de 1 hectare e 13 mil mudas. Já a Casale lançou a CRC Biomassa, uma recolhedora e picadora de palha de cana que trabalha com maior velocidade para contribuir com a produção de energia a partir do material.

A Agrishow vai até sexta, em Ribeirão. São 800 marcas expositoras com soluções desde insumos a colheitadeiras, em uma área de 400 mil metros quadrados. A expectativa é de receber 160 mil visitantes de mais de 70 países.

Vendas
Os expositores mostraram empolgação com os negócios depois de dois dias de Agrishow, ainda mais porque hoje e amanhã são considerados os dias de maior movimento. Depois de queda na comercialização em 2015, o vice-presidente da Case para a América Latina, Roque Reis, afirmou que a companhia já adaptou as expectativas para 2016 como um ano de dificuldades, mas sem desânimo. "Nosso olhar para o País é em médio e longo prazo", disse.

Ele considerou que existe expectativa de vender menor número de tratores em 2016 do que em 2015, mas com a mesma quantidade de colheitadeiras e crescimento nos setores de cana e café. Com a alta do dólar, ele considerou que o custo do maquinário aumentou em nível semelhante ao da inflação, mas já foi repassado aos produtos e não deve variar muito mais. A empresa não divulga a previsão em números por ter ações na Bolsa de Valores, mas a tendência apontada tem base no primeiro trimestre deste ano, no qual houve retração de 30% na comercialização de tratores e estabilidade em colheitadeiras em relação ao mesmo período do ano passado.

Outros expositores menores confirmam também a previsão da organização da feira, de igualar as vendas do ano passado, que ficaram em R$ 1,9 bilhão. A Mec-Rul, empresa com sede em Caxias do Sul (RS), comercializou 46 máquinas no primeiro dia, 95% com preços de R$ 10 mil a R$ 15 mil. A Sollus, que atua no segmento de cana, vendeu dez máquinas anteontem, das quais a metade com custo médio de R$ 70 mil, e pretende fechar os cinco dias com 80 equipamentos comercializados. Já a Santa Izabel vendeu 25 máquinas de implementos agrícolas no primeiro dia.

O repórter viajou a convite de empresas expositoras

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