''Se o Brasil não aderir rapidamente à inovação tecnológica, corre o risco de continuar cada vez mais dependente dos países desenvolvidos e agravar a crise econômica interna'', disse José Miguel Chaddad, diretor executivo da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento & Engenharia de Empresas Inovadoras (Anpei). Ele foi o convidado de honra do workshop ''Tecnologia dá retorno?'', realizado ontem à noite no auditórido da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec).
A intenção do encontro foi sensibilizar a comunidade em geral para as grandes oportunidades que a inovação tecnológica pode gerar no atual modelo de 'economia do conhecimento'. De acordo com ele, o uso de qualquer equipamento mais sofisticado pode ser considerado um avanço nesta direção. ''Um pasteleiro que utiliza uma fritadeira que regula a temperatura, filtra o óleo e, consequentemente, aumenta a produção se torna mais competitivo e tem maiores chances de lucro'', exemplificou.
Formado em engenharia metalúrgica com especialização em cobre e alumínio, Chaddad acumula 20 anos de experiência em gestão de tecnologia de grandes multinacionais, incluindo cinco anos de trabalho na França. Esta bagagem profissional o fez concluir que o Brasil precisa de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento da indústria e exportar produtos com valor agregado. ''Ao invés de vendermos a soja in natura, poderíamos antes transformá-la em carne e ganhar mais neste negócio'', sugeriu o palestrante.
Chaddad compara o Brasil à Coréia que em 20 anos cresceu espantosamente a ponto de possuir duas das 10 maiores multinacionais do mundo. Segundo ele, o principal ponto em comum entre os dois é a riqueza em conhecimento. Enquanto em países desenvolvidos o governo patrocina projetos da iniciativa privada visando o retorno comunitário, aqui as teses de mestrado e doutorado ficam engavetadas ou são apropriadas por concorrentes estrangeiros. ''Nossa dificuldade em enxergar as oportunidades é resultado da herança latina, industrialização tardia e governos despreparados'', explicou o diretor executivo da Anpei que confia na capacidade de superação do brasileiro.

mockup