Inovação para garantir o sucesso
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
Ainda bem jovem, o empresário João Noma, 65 anos, sonhava com a fábrica de carretas que iria construir. Imaginava um grande pavilhão e os produtos passando pendurados numa ponte rolante. Deu tudo certo como ele sonhou. A Noma do Brasil completa 45 anos sendo uma das maiores fabricantes de implementos rodoviários do País. Exportando para toda América do Sul e África, a indústria emprega 1,4 mil pessoas e faturou R$ 306 milhões no ano passado.
Há dois anos, após um processo sucessório apoiado na consultoria da Hoft, João Noma deixou a fábrica nas mãos dos quatro filhos: Marcos, Marcelo, Denise e Cristiana. E foi cuidar dos outros negócios da família relacionados à pecuária e ao mercado de automóveis. Ele mantém uma concessionária Toyota em Maringá.
Marcos, 35 anos, foi escolhido presidente e hoje comanda um negócio em plena expansão. No ano que vem, a Noma do Brasil deve inaugurar sua segunda planta. Será em Tatuí (SP). E ainda neste ano pretende trazer para o Norte do Paraná a fábrica da RodoLinea - ex-concorrente a qual a Noma acaba de se associar. A unidade funciona atualmente na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Além do espírito empreendedor do pai, Marcos Noma credita aos investimentos em inovação a história de sucesso da fábrica. O ano de 2007 foi um marco para a empresa, que fez uma revolução nos seus produtos, mesmo com o risco de descaracterizar o conceito que os clientes tinham da marca. O presidente explica: ''A robustez era o mote que usávamos para diferenciar nossos produtos. O cliente sempre nos identificou como fabricantes de implementos pesados'', lembra.
Mas a legislação brasileira de pesos e medidas, que vem se tornando cada vez mais rigorosa, exigia uma inovação. Os pesos dos produtos precisam ser reduzidos para que o cliente possa levar mais carga. ''Mudamos totalmente o projeto estrutural das carretas. Começamos a usar aço de alta resistência, alumínio e plástico onde era possível, sem colocar em risco a durabilidade do produto'', explica Marcos Noma. Segundo ele, com a mudança, foi possível reduzir em até duas toneladas o peso de alguns equipamentos.
No ano passado, a Noma colocou no mercado sua segunda linha de implementos fabricados a partir deste novo conceito, ainda mais leves. Essa inovação, segundo Marcos Noma, é responsável pelo fato de as vendas da indústria terem crescido 5% neste ano enquanto o mercado como um todo recuou 13%. ''Estamos investindo 1% do faturamento em inovação, o que representa cerca de R$ 3 milhões por ano. E isso tem feito muita diferença no mercado'', afirma.
Outro fator que garantiu a sustentabilidade da empresa, de acordo com o presidente, foi o processo de sucessão realizado em 2010 com o apoio da Consultoria Hoft. ''Este é o maior desafio para as empresas familiares. Normalmente, nesta hora, perde-se o foco: privilegia-se as questões familiares e o negócio fica em segundo plano'', afirma.
Segundo o empresário, a postura do pai facilitou muito. ''Foi uma decisão muito corajosa dele de se afastar. Não é todo fundador que tem essa coragem'', elogiou. Marcos Noma diz que a família soube separar assuntos pessoais dos da empresa e a indicação dele para a presidência foi um consenso entre os irmãos. ''Fui o primeiro a começar a trabalhar na Noma, com 14 anos'', conta.



