Curitiba - O governo federal anunciou ontem um pacote de R$ 32,9 bilhões em investimentos para inovação na indústria brasileira. Deste total, o equivalente a R$ 28,5 bilhões serão em investimento direto e R$ 4,4 bilhões relativos a instituições parceiras. Os recursos fazem parte do Programa Inova Empresa, que foi lançado ontem pela presidente Dilma Rousseff.
Dos investimentos diretos, a maior parte - R$ 20,9 bilhões - é referente a crédito subsidiado, com juros de 2,5% a 5% ao ano, com prazo de até 12 anos, alavancagem de até 90% do total de cada projeto e prazo de quatro anos de carência até o início da amortização.
Outros R$ 1,2 bilhão serão emprestados a fundo perdido, R$ 4,2 bilhões em recursos não reembolsáveis e R$ 2,2 bilhões em renda variável.
Ao todo, a cadeia de agropecuária terá R$ 3 bilhões, petróleo e gás R$ 4,1 bilhões, complexo aeroespacial e defesa R$ 2,9 bilhões, energia R$ 5,7 bilhões e tecnologia da informação R$ 2,1 bilhões.
Os principais objetivos do novo pacote do governo são estimular instituições de pesquisa e desenvolvimento (P&D) a realizar prospecção de projetos empresariais e arranjos cooperativos para inovação e criar um ambiente favorável à formação de recursos humanos.
Para o professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), Carlos Magno Bittencourt, o pacote vai unir universidades que atuam no desenvolvimento de pesquisa e empresas.
Ele acredita que este incentivo anunciado pelo governo pode levar à diminuição do custo de produção e à fabricação de produtos mais baratos. Bittencourt disse que, em muitas áreas, o Brasil está ''na lanterna'' na geração de produtos inovadores e, diversas vezes, depende de países como Japão, Estados Unidos e Alemanha.
Segundo ele, as áreas que o governo escolheu para investimentos em inovação são estratégicas e fazem parte do livro azul do Ministério de Ciência e Tecnologia e que devem crescer nos próximos anos. Para o professor, o pacote pode trazer um incremento para a economia como um todo, além de gerar mais qualificação de mão de obra.
Para o coordenador do conselho temático de política industrial, inovação e design da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo Martins, a expectativa é que o pacote funcione. Ele defende que é importante a aplicação de outros instrumentos que garantam a competitividade da indústria. Segundo ele, o câmbio tem tornado a indústria menos competitiva e a carga tributária ainda é muito alta no País. ''Vejo o pacote com bons olhos. Deve impulsionar a economia no médio e longo prazos'', opinou.
No entanto, ele lembrou que o investimento em pesquisa não acontece da noite para o dia. Martins disse que os governos estadual e federal estão fazendo política industrial com visão de médio e longo prazos e com inovação. Ele destacou que, recentemente, o governo do Paraná assinou o decreto que criou a Lei de Inovação do Estado. ''Está se criando um ambiente virtuoso para o Paraná se destacar'', declarou.
Para o superintendente adjunto da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, o plano do governo federal vem se somar à lei estadual de inovação. Ele acredita que os recursos sejam mesmo disponibilizados na prática e que vão estimular novas tecnologias e o registro de novas patentes. Costa prevê que na agropecuária do Estado haverá demanda, principalmente, na área de carnes. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Inova Empresa vai injetar R$ 32,9 bi no setor industrial
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