Injustiça social trava desenvolvimento
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segunda-feira, 17 de março de 1997
France Presse 
de Barcelona, Espanha
France PresseEncontro de ministrosEnrique Iglésias cumprimenta o rei Juan Carlos e a rainha Sofia na abertura da 38ª Assembléia do BIDO favorável panorama econômico da América Latina está enfrentando o fantasma de um crescente desemprego e a pobreza, que afeta 40% da população latino-americana, declarou ontem o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglésias, na sessão de abertura da Assembléia de Ministros do BID.
A Assembléia foi aberta com a participação de 4.500 representantes dos 46 países da América Latina, Europa, Ásia e Oriente Médio, membros do BID.
Iglésias assinalou com alarme que a distribuição de renda na América Latina e Caribe se destaca por ser a mais desigual do mundo, fato que deve ser corrigido urgentemente, para fazer com que o desenvolvimento seja uma empresa coletiva e firme na região.
A respeito, advertiu que se a região não adotar com urgência as medidas adequadas para remediar a debilidade de seu trauma social, não estará em condições de crescer no século XXI de acordo com seu potencial.
A América Latina deve - insistiu - corrigir imperiosamente as disparidades sociais para garantir seu maior desenvolvimento, embora tenha reconhecido que a tarefa não é fácil.
O panorama favorável da região, que foi capaz de estabilizar rapidamente sua situação econômica, mediante a aplicação de políticas apropriadas, continua sendo empanado pelos altos e crescentes índices de desemprego, disse.
Este problema e a concomitante desigualdade endêmica na distribuição da renda e da riqueza põem em destaque - segundo técnicos do BID - a necessidade de conseguir maiores taxas de crescimento e de modificar sua natureza.
Para conseguir tais objetivos, Iglésias indicou a necessidade de realizar reformas estruturais, que vão além da melhora macroeconômica representada por maiores taxas de reserva interna e de um crescimento importante das exportações, que são sem dúvida, acentuou, requisitos necessários.
A solução do problema do desemprego é um ingrediente essencial em qualquer estratégia de redução da pobreza, mas sua complexidade e profundidade exigem medidas muito amplas, disse o presidente do BID.
Entre tais medidas, mencionou a criação de condições específicas para gerar emprego, a provisão de serviços básicos a grupos vulneráveis e a formação de recursos humanos.
A educação constitui em definitivo o meio mais eficaz para superar a pobreza, melhorar as habilidades e a produtividade dos recursos humanos, elevar a renda e, com isso, melhorar a equidade na distribuição dos frutos do crescimento, explicou.


