'Inimigo está lá fora', afirma diretor da Fiesp
Inimigo está lá
fora, afirma
diretor da Fiesp
O presidente do Conselho de Administração do Grupo Sadia e diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Luiz Fernando Furlan, recomendou a restrição voluntária de exportações em alguns setores para atenuar a guerra comercial entre o Brasil e Argentina. Furlan, que hoje estará em Montevidéu, participando do Fórum Mercosul, promovido pela Gazeta Mercantil, disse que o setor de calçados deveria refletir sobre este mecanismo de restrição em suas exportações para alcançar um acordo com os calçadistas argentinos.
O executivo da Fiesp lembrou que o setor de frangos praticamente desarticulou as vozes locais (Argentina) de que o Brasil estava invadindo o mercado argentino logo depois da desvalorização do real. Segundo ele, as exportações brasileiras de frango entre janeiro e agosto deste ano caíram 11% em volume e 15% em valor, em comparação com o mesmo período do ano passado. Furlan acredita que a turbulência das relações comerciais é apenas passageira e tem também como foco o processo eleitoral argentino, que influencia alguns setores prejudicados no comércio bilateral. Não acredito que a perda de competitividade da Argentina esteja diretamente ligada à desvalorização do real, afirmou Furlan.
Para ele, o problema é principalmente estrutural. E citou como exemplos o setor de açúcar na Argentina, cuja competitividade é bastante questionável. Furlan disse ainda que a turbulência entre os dois países enfraquece a força do Mercosul em um momento em que as negociações para a criação da Alca já começaram e a rodada do milênio se aproxima. Estamos desperdiçando energia no campo do México quando o inimigo está lá fora, praticando o contrário do que prega, lamentou Furlan ao se referir às barreiras comerciais impostas pelos europeus e norte-americanos.





