Início de colheita derruba preço do feijão no Paraná
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quarta-feira, 28 de novembro de 2001
Denise Angelo<br> De Ponta Grossa 
Com o início da colheita da safra de feijão deste ano no Paraná, os preços começaram a cair. Nos últimos 20 dias, a redução no preço pago ao produtor foi de 15%, aproximadamente, variando conforme a região. Apenas 10% dos 394 mil hectares plantados com feijão já foram colhidos no Estado.
O melhor preço pago ao produtor pelo feijão preto este ano ocorreu em outubro, quando a saca de 60 quilos chegou a R$ 88,46. No final da semana passada, o preço girou em torno de R$ 76,00, mantendo-se no início desta semana ou caindo ligeiramente.
Já o feijão carioca teve seu melhor desempenho em abril, quando chegou a R$ 52,56. Dias atrás o carioca estava cotado a R$ 39,00.
O Paraná é responsável por 17% da produção nacional de feijão. Este ano a safra deve chegar a 440 mil toneladas, contra 339 colhidas no ano passado. O aumento da produção em 22% reforça a tendência de queda nos preços, conforme o Deral/Seab.
Segundo o corretor Marcelo Luders, da Correpar, a queda nos preços do feijão carioca está sendo provocada novamente pela concentração de oferta. ''A oferta dos estados produtores, principalmente das regiões Sul e Sudeste, estão entrando no mercado na mesma época'', informa. Luders adianta que este cenário desfavorável para o produtor é só o começo. Ele avalia que a situação tende a piorar entre dezembro e fevereiro, quando a produção na região Sul atinge o pico da safra.
Com o feijão preto, a situação é semelhante. Além do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, outros estados produtores devem colher boa safra e os preços apresentam tendência de baixa. O feijão preto alcançou preço máximo de R$ 100,00 a saca, em São Paulo. Agora já acumula queda de 18% na safra paulista. No interior do Paraná, a cotação já caiu para R$ 75,00 a R$ 77,00 a saca. Analistas do mercado de cereais acreditam que até a virada do ano, o preço do feijão preto vai cair para R$ 50,00 a saca.
Luders orienta o produtor a vender sua safra o quanto antes. ''O produtor não deve esperar para vender'', reforça. O corretor avalia que o Paraná será responsável pela colocação de 2,6 milhões de sacas de feijão preto, das quase 5 milhões de sacas que serão colocadas no mercado pelos estados produtores do Sul.
Apesar do cenário ruim, os operadores de mercado acreditam que a cultura terá um desempenho melhor do que a registrada em 2000. Cerealistas da região dos Campos Gerais acreditam que o preço do feijão preto deve se estabilizar entre R$ 55 e R$ 60, a partir de janeiro, uma queda bem menor do que a registrada na safra passada, quando o feijão preto chegou a R$ 27 e o carioca a R$ 32.
Parte do feijão preto produzido no Paraná fica no próprio Estado. O restante é distribuído entre São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Já o excedente da produção paranaense de feijão carioca vai para São Paulo, de onde é distribuído para praticamente todos os estados do país. (Colaborou Vânia Casado, de Curitiba).


