Início de ano requer planejamento
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sábado, 20 de janeiro de 2007
Andréa Bertoldi<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Este início de ano é um bom momento para fazer um planejamento financeiro do orçamento doméstico para 2007. Hoje, manter as contas em dia é uma questão de sobrevivência. No entanto, não basta apenas equilibrar receitas e despesas. É preciso guardar pelo menos 10% do salário para emergências, como uma espécie de dízimo.
O vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel e Oliveira, lembra que o começo do ano é um período de grande concentração de dívidas. ''Os gastos em janeiro com tributos como IPVA, IPTU e material escolar chegam a ser o dobro do salário. Se a pessoa se programou antes, vai sofrer menos'', disse.
Não apenas para os tributos mas até para a compra de um bem, ele recomenda que as pessoas economizem durante dez meses. Este tipo de prática pode servir para poupar, para a educação dos filhos e até para viajar. ''Anotar os gastos todos os dias é uma regra'', alerta.
Para ele, o mau planejamento acontece porque grande parte das pessoas só se preocupa com as grandes despesas. ''Pequenos valores somados, dão valores elevados'', destaca. Oliveira destacou que as pessoas não devem gastar mais do que ganham. Ele recomenda a elaboração de uma planilha única onde sejam colocadas despesas normais e previsões das extraordinárias. Quem não se programa acaba tendo que recorrer a crédito como o cheque especial que é caro.
O coordenador do curso de Economia do Centro Universitário Franciscano do Paraná (FAE Businees School), Gilmar Mendes Lourenço, recomenda a cautela no começo do ano. Ele alerta que as megaliquidações que acontecem no início do ano são um bom negócio se a pessoa está realmente precisando do bem.
Ele lembra que o planejamento no início do ano deve começar na defensiva porque as famílias estão carregadas de algumas dívidas que fizeram no final do ano por conta das festas. A dica dele é que as pessoas procurem definir qual é a previsão de receita ao longo do ano e, em cada mês, incorporar um conjunto de despesas fixas como plano de saúde, mensalidade escolar, alimentação, higiene e transporte. ''Com isso, já é possível perceber se a receita vai cobrir as despesas'', disse. A partir deste ponto, o contribuinte também vai poder tomar a decisão de pagar os impostos (IPVA E IPTU) à vista ou parcelar.
Recomenda ainda que as pessoas procurem fugir do crediário e pesquisem muito antes de comprar. ''A compra à vista é sempre o melhor negócio'', afirma. Isso porque o consumidor tem mais poder de negociação para pedir descontos. Quando não recebe um abatimento na compra à vista, a recomendação é postergar o consumo ou procurar outro estabelecimento. ''O preço a prazo não pode ser igual ao preço à vista. O preço a prazo embute juro e incorpora o risco da inadimplência'', destaca.
Para Lourenço, quem segue todas estas recomendações pode salvar o 13º salário que vai receber no final deste ano. ''O orçamento tem que ser inserido no cotidiano das pessoas'', disse.
Tributos - A recomendação unânime dos especialistas na área de planejamento financeiro é que os tributos como IPTU e IPVA sejam pagos à vista se a pessoa tem o dinheiro. Miguel de Oliveira recomenda tirar o dinheiro da aplicação financeira porque os juros embutidos no pagamento do imposto parcelado vão ser maiores que o benefício do dinheiro aplicado.
''Para qualquer tributo cujo desconto no pagamento à vista for superior a 3% vale a pena pagar à vista'', disse Gilmar Lourenço. Isso desde que o contribuinte tenha disponibilidade de caixa. ''Não vale a pena deixar de pagar à vista e fazer aplicação financeira com o dinheiro do desconto'', destacou.


