O Arco Norte precisa ser alavancado pela iniciativa privada. Essa é a opinião dos prefeitos dos municípios envolvidos no projeto. Para eles, cabe ao poder público o papel de apoiar a iniciativa. Todos se dizem otimistas quanto à possibilidade de a proposta sair do papel e acreditam que ela tem potencial para mudar a ''cara'' da região.
Apresentado pela bancada paranaense na Câmara dos Deputados como emenda para ser inserida no Plano Plurianual (PPA) do governo federal, o projeto começou a ser desenvolvido há cerca de cinco anos e envolve os municípios de Ibiporã, Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana. Ele tem como âncora um enorme aeroporto internacional de cargas a ser construído numa área de 5,7 mil hectares na Zona Sul de Londrina, próximo à Mata dos Godoy.
''Com o Arco Norte, podemos dar um up grade na região e colocá-la no cenário nacional e internacional'', afirma o prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira (PMDB). Segundo ele, os municípios têm de dar ''todo o apoio'' para a iniciativa sair do papel. ''Mas as prefeituras têm suas limitações legais e econômicas e por isso o projeto não pode ficar na mão dos prefeitos, mas da sociedade norte-paranaense, que tem de atuar para ele acontecer'', ressalta.
O prefeito de Cambé, João Pavinato (PSDB), defende a criação de um ''órgão gerenciador'' para o projeto ''puxado'' pela iniciativa privada. Ele diz ter dúvidas se um consórcio de municípios seria o melhor instrumento para a governança do Arco Norte. ''Precisamos de celeridade e já tivemos exemplos de consórcios que não funcionaram de forma tão ágil'', ressalta.
De acordo com Pavinato, ''quanto menos depender das prefeituras, melhor'' para o empreendimento. ''Quando cai na buroracia e na falta de estrutura, o caminho é muito lento', destaca. Ele defende a realização, o mais urgente possível, do projeto de ''viabilidade técnica, econômica e ambiental'' da iniciativa. Para o prefeito cambeense, não há problema no fato de o aeroporto ser construído em Londrina. ''É uma área equidistante de todos as cidades que participam do projeto'', salienta.
Já o prefeito de Arapongas, Beto Pugliese (PMDB), lamenta que a crise de 2008 tenha atrasado a iniciativa, pois inibiu novos investimentos.''Mas agora o cenário é melhor. Temos por exemplo a DHL, maior empresa de logística do mundo, que está interessada no Arco Norte'', conta.
Dizendo-se entusiasmado, ele considera a ideia ''fantástica''.''Vai mudar a cara da região. Teremos um transporte de modal de primeiríssimo mundo, com aviões Tupolev (cargueiros russos) chegando e saindo do nosso aeroporto'', afirma.
O prefeito de Apucarana, João Carlos de Oliveira (PDMB), acredita que às prefeituras cabe o apoiamento político do projeto. ''Trata-se de uma proposta muito importante que terá um reflexo grande na região'', diz. Ele também considera que não há problema em construir o aeroporto em Londrina. ''O reflexo do Arco Norte vai extrapolar as fronteiras dos municípios'', destaca.
Barbosa Neto (PDT), prefeito de Londrina, também afirma que o projeto tem capacidade de ''mudar o perfil econômico e o status da região nos próximos 30 anos''. Ele disse que determinou ao Departamento de Patrimônio que faça um inventário das cerca de 70 propriedades rurais existentes na área. ''Com isso, abrimos o caminho para a negociação dos terrenos'', afirma.
A reportagem não conseguiu falar com o prefeito de Rolândia, Johnny Lehmann (PTB), que estava em viagem de trabalho no exterior.

Imagem ilustrativa da imagem Iniciativa privada terá de ''puxar'' Arco Norte
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