Ingredientes explosivos vão movimentar a Bolsa
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domingo, 13 de outubro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - A semana tem ingredientes explosivos: 1) um dos maiores vencimentos da dívida pública atrelada ao câmbio do ano, 2) as primeiras pesquisas eleitorais do segundo turno e 3) as novas medidas do Banco Central para conter a escalada do dólar. Para completar, o feriado de hoje nos Estados Unidos esvazia os negócios na Bolsa.
A avaliação de analistas é que as novas regras não ajudam a Bovespa. Investidores temem uma elevação dos juros. Na sexta-feira, na contramão da forte alta no mercado de ações americano, a Bolsa fechou em queda de 0,12%.
Para uma corrente de analistas, a Bovespa começou a cair naquele dia em razão do movimento de arbitragem (lucro sem risco em transações simultâneas em mercados em desequilíbrio) com ADRs (American Depositary Receipts, certificados de depósitos de ações negociados nos EUA).
Com a queda do dólar, papéis do mercado doméstico ficaram mais caros em relação aos preços dos respectivos ADRs. Investidores, então, venderam ações na Bovespa para comprar ADRs das mesmas empresas.
Para alguns analistas, a Bolsa e o dólar estão com dinâmicas muito descoladas nos últimos dias, em razão do esvaziamento do mercado acionário.
''A maioria dos investidores está ganhando dinheiro com o câmbio, não está na Bolsa. O mercado de ações tem um horizonte mais longo: conhecer a política econômica e como será o crescimento em 2003'', diz o diretor do Unibanco Asset Management, Jorge Simino.
Dívida - Há semanas o mercado se preocupa com a rolagem da dívida pública atrelada ao câmbio no valor de US$ 3,62 bilhões que vence na quinta-feira.
A redução da liquidez dos bancos, um dos efeitos das medidas anunciadas pelo BC, deverá acalmar o câmbio, ao menos no curto prazo, e facilitar a rolagem.
''É o pacote ''shake off', para derrubar os que estão em cima da árvore com dólares na mão à espera do vencimento'',diz Neves.
Mantida a queda da cotação do dólar e do Ptax (taxa média do dólar pesquisada pelo BC, usada para o cálculo dos rendimentos dos cambiais) o governo deverá pagar menos para resgatar seus títulos.
O resultado da primeira pesquisa do Datafolha publicada depois do primeiro turno contraria a expectativa do mercado, que estimava uma diferença de no máximo 20 pontos percentuais entre os candidatos à Presidência.
De acordo com a sondagem realizada na sexta-feira passada, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 26 pontos percentuais a mais que José Serra (PSDB).
''O mercado vai se assustar, mas espera que Serra se recupere depois. No exterior é que repercute muito mal- o que pode gerar venda de ADRs'', diz Neves.
Investidores estrangeiros preferem Serra a Lula porque vêem no tucano a continuidade da atual política econômica.


