A Secretaria da Fazenda do Paraná informou ontem que não há mais o prazo limite de 31 de dezembro para o vencimento da caução lastreada em ações da Copel no Banestado. Segundo o secretário Ingo Hubert, há uma negociação em fase adiantada com o Itaú (novo dono do Banestado) para prorrogar o prazo. Mas, por enquanto, o acordo não foi fechado oficialmente. Ele está apenas em conversação.
A Folha apurou que anteontem foi feita uma reunião a portas fechadas na secretaria entre Ingo Hubert; o ex-presidente do Banestado, Reinhold Stephanes mais os conselheiros pessoais de Jaime Lerner, os empresários Saul Raiz e Karlos Rischbieter. Na pauta o assunto foram as ações da Copel no Banestado e a própria privatização.
O clima não era de tranquilidade, pois precisava se encontrar uma maneira de viabilizar recursos para o resgate de ações. Depois de horas de conversa, os participantes chegaram a mesma conclusão: o Estado não tem dinheiro para resgatar as ações, independente da época em que expire o prazo.
Uma das sugestões dadas na reunião foi a de acelerar a privatização da Copel. A maior parte do dinheiro é para capitalizar o Fundo Previdenciário, mas sobraria uma parcela para os cofres públicos do Estado. Segundo o próprio secretário da Fazenda, a venda da Copel se dará somente em 2002.
Enquanto não acha a fonte de recursos, o governo terá de se empenhar para convencer o Itaú de que é necessário formalizar a assinatura de um acordo para prorrogar o prazo. Quem está à frente na negociação é o empresário e presidente do PFL, João Elísio Ferraz de Campos.
Ingo Hubert prefere não dar muitas declarações sobre o assunto, considerado o mais espinhoso hoje no governo. Pela sua assessoria de imprensa, ele disse que não está em discussão a perda do controle acionário da Copel. ‘‘É terrorismo da oposição dizer que vamos perder o controle acionário. Isso é um circo, pois não há risco algum’’, afirmou. A assessoria de imprensa informou ainda que não é possível adiantar como estão as negociações com o Itaú. (C.M.)

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