A Ingersoll-Rand e a Thermo King, subsidiárias do grupo americano Ingersoll-Rand Company, uma das maiores empresas do mundo do setor de compressores industriais, vão fechar suas unidades em Londrina. O anúncio foi feito ontem aos 81 funcionários. As instalações serão transferidas para Curitiba. No final de 2008, a Hussmann, outra empresa da multinacional, também encerrou atividades em Londrina, demitindo 300 funcionários.
O grupo informou à FOLHA que está fazendo investimentos - quantia não divulgada - na expansão de seu parque industrial na capital, que já abriga a Trane, outra subsidiária da Ingersoll-Rand Company. A empresa também deve instalar em Curitiba um centro de distribuição. ''Analisando nossos negócios, chegamos à conclusão que faz mais sentido passarmos a operar em Curitiba, porque lá já temos parque industrial próprio e também pela questão logística'', disse Joe Cretella, vice-presidente de Manufatura da Thermo King Américas.
Segundo o executivo, desde o fechamento da Hussmann o grupo não tinha sede própria em Londrina e o contrato para a utilização das instalações vence no final deste ano. As unidades vão funcionar na cidade até 30 de outubro. ''Manteremos o funcionamento normal no período. Gostaríamos que todos os funcionários ficassem conosco até lá'', disse. Cretella afirmou que há interesse em levar ''parte'' dos funcionários para Curitiba. ''Não sabemos a quantia. Isso vai vai depender do interesse deles e da nossa necessidade para determinadas funções''.
Cretella disse ter informado o prefeito Barbosa Neto (PDT) sobre a mudança por meio de carta. ''Esses anos em Londrina foram muito positivos. Sempre tivemos excelentes relacionamentos com as autoridades locais e temos um quadro de funcionários excelente. Queremos continuar investindo no Paraná, e Curitiba hoje é mais interessante para montarmos nossa logística.''.
A Thermo King produz equipamentos de controle de temperatura para transporte e a Ingersoll-Rand, compressores industriais. As duas vieram para Londrina em 2001. Cretella não informou o volume de produção que as empresas mantêm no município, justificando que houve oscilação nos últimos meses por causa dos reflexos da crise econômica mundial. O que as unidades produzem na cidade atende os mercados nacional e da América do Sul.
Sebastião da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Londrina e Região (Stimmmel), disse que ficou sabendo anteontem sobre o fechamento das empresas. ''Tentamos conversar, mas eles já estão decididos. Isso é muito ruim para a cidade. Não podia acontecer'', afirmou ele, que é vereador pelo PDT e líder do prefeito Barbosa Neto na Câmara.
Segundo Silva, em dois dias foram feitas três reuniões com a diretoria e foram fechados acordos. Além dos acertos salariais, os funcionários que ficarem até 30 de outubro na empresa receberão como ''bônus'' dois salários-base e mais três meses de planos de saúde e odontológico. Ele informou que parte dos funcionários - mais de 20 - poderão ser absorvidos pela empresa que vai ocupar as instalações das subsidiárias da Ingersoll-Rand Company.
No local será instalada uma empresa do Grupo Fast Gôndolas, de São Paulo, que fabrica equipamentos e acessórios para lojas e auto-serviços. ''A vantagem (para a cidade) é que até o final do ano essa nova empresa deve contratar entre 150 e 200 funcionários'', disse Silva.

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