Infraestrutura pode ser saída para a crise econômica
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terça-feira, 20 de outubro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A atração de investimentos privados em infraestrutura é uma das saídas para a crise econômica que vive o Brasil. Com a iniciativa privada é possível retomar os investimentos no setor e o País voltar a crescer, a partir da geração de empregos. Mas, para isso, os investidores precisam de perspectivas de longo prazo, rentabilidade atrativa e riscos que possam ser geridos pela iniciativa privada.
As opiniões são do professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e especialista em concessões públicas e Parcerias Público-Privadas (PPPs), Gabriel Galípolo. Para ele, também é importante não cercear a iniciativa privada de buscar rentabilidade. Segundo o especialista, podem ser envolvidos em investimentos de infraestrutura desde transporte, até saneamento, mobilidade e habitação.
"Os investimentos em infraestrutura geram emprego e renda, ganhos de produtividade para vários setores e ganhos de eficiência", disse. Segundo Galípolo, é preciso oferecer atrativos para a iniciativa privada e definir quem vai pagar pela infraestrutura, ou seja, se é o contribuinte ou o usuário.
Ele defendeu que a competitividade também está na utilização de outros modais para transporte que não sejam focados apenas no rodoviário. E citou como exemplo, os Estados Unidos que utilizam muito as ferrovias. De acordo com o professor, no caso das concessões de pedágio, é possível reduzir as tarifas apenas a partir de novos investimentos.
O especialista lembrou que um estudo realizado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aponta que o Brasil teria que investir R$ 400 bilhões para fazer um upgrade em infraestrutura. E, caso fossem investidos R$ 15 bilhões por ano, isso demoraria 30 anos para se concretizar. A infraestrutura foi tema do segundo EncontrosFolha, realizado pelo Grupo Folha em setembro do ano passado, e mostrou os gargalos do Norte do Paraná e o que precisa ser feito para melhorar esse setor e ajudar no escoamento da produção.
Galípolo participou ontem do fórum "Infraestrutura, uma saída para crise", promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), em Curitiba. O consultor econômico Raul Velloso disse que é preciso entender que o setor público tem dificuldades em destinar recursos para a infraestrutura. Segundo ele, o investimento público não tem espaço para crescer porque o governo já tem 74% do gasto da União comprometido com folha de pagamento.
"A infraestrutura aumenta a produtividade. Mas, o setor privado depende de um ambiente favorável para investir", destacou. Para ele, o governo brasileiro precisa remover os obstáculos dos investimentos que estão em curso, como parar de insistir que as empresas pratiquem tarifas que estão abaixo do custo. No caso específico do Paraná, ele acredita que renovação dos contratos com as atuais concessionárias de pedágio seria positiva.
Para o professor de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Egon Bockmann Moreira, sem investimento em infraestrutura os demais setores não se desenvolvem. Mas, segundo ele, para ter investimentos é preciso ter segurança jurídica e respeito aos contratos e ao período que eles foram estabelecidos.
O presidente do IEP, Nelson Luiz Gomes, disse que o governo estadual e federal precisam atrair investimentos da iniciativa privada porque obras geram emprego e movimentam a economia em momento de crise. Em, relação aos contratos de concessão das rodovias do Estado para escolher entre a repactuação dos contratos de pedágio atuais ou a realização de novos contratos, ele frisa que é preciso levar em conta critérios éticos, técnicos e econômicos.


