Duplicação da PR-445 é uma das prioridades para a região
Duplicação da PR-445 é uma das prioridades para a região | Foto: Marcos Zanutto



O Plano Estadual de Logística em Transporte do Paraná (PELT) prevê seis eixos de obras rodoviárias a partir de Londrina, para ampliar a capacidade de tráfego e reduzir custos de frete na região. Para tanto, representantes da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) defendem que o debate sobre as novas licitações para concessão de estradas comece já neste segundo semestre, de modo a garantir o maior benefício por uma tarifa menor.
Fazer novas licitações não é consenso no grupo de 17 entidades que compõem o Fórum Permanente de Desenvolvimento Futuro 10 Paraná. A Fiep está entre as que defendem que sejam feitas novos certames pouco antes do fim dos contratos atuais, que vão até novembro de 2021. Outras entidades que fazem parte do fórum, por outro lado, são a favor da prorrogação de contratos com as atuais concessionárias para que ocorra redução de tarifas e início de obras o mais rapidamente possível.
O executivo do Conselho em Logística de Infraestrutura da Fiep, João Arthur Mohr, considera que é preciso iniciar o debate e a mobilização da sociedade paranaense nos próximos meses, para buscar os melhores modelos de concessão. No ano seguinte ele diz que será preciso fazer estudos de engenharia, de fluxo de veículos e de necessidade das rodovias, para definir cronograma de obras e tarifa máxima. "Em 2019, para que o contrato não seja fechado em uma caixa preta como o atual, propomos que sejam feitas 40 audiências públicas no Paraná, em todos os eixos de obras, para discutir a visão da população e de entidades locais sobre desde a localização da praça de pedágio ao plano de obras."
Mohr diz que os primeiros quatro meses de 2020 serão usados para formatar o edital e os seis meses seguintes para análise de tribunais de contas. "As regras do edital precisam ser publicadas seis meses antes, então em novembro de 2020, para que a licitação seja feita em abril do último ano de concessão, seis meses antes do fim das concessões atuais", completa.
O executivo da Fiep acredita que, pelas regras de equilíbrio econômico dos contratos atuais, há expectativa de que as concessionárias entreguem somente 70% das obras previstas até 2021. Por isso, defende novos modelos em vez de fazer a prorrogação dos atuais. "Para a indústria ser competitiva em um local, precisa de transporte eficiente e hoje o pedágio encarece o frete em itens de baixo valor agregado", diz Mohr, sobre Londrina. "Não somos contra o pedágio, mas podemos ter novas licitações absorvendo boas coisas dos melhores modelos do mundo, para termos uma tarifa pela metade e o dobro de obras", completa.
Ele lembra que a média de entrega de rodovias duplicadas nos contratos atuais é de 30% do total, a metade do que preveem as novas licitações feitas em estados do Centro-Oeste do País nos últimos dois anos. "Por isso somos totalmente contrários à prorrogação, porque seria um processo acertado entre quatro paredes e sem uma concorrência que pudesse gerar a menor das tarifas", afirma o executivo da Fiep. "Em média, oito consórcios se formaram nessas disputas e houve um deságio no preço da tarifa de 50%", completa.

REGIONAIS
De acordo com o PELT, as ampliações de capacidade de rodovias não exigem, necessariamente, duplicação. Trechos com terceira faixa ou viadutos para facilitar a passagem em entradas de cidades, por exemplo, são alternativas.
O primeiro foco, segundo o plano, é a ampliação da capacidade na PR-445 e PR-537, no corredor entre Mauá da Serra e Florestópolis, passando por Londrina. "Os outros são em rodovias pedagiadas e serão feitos depois do fim das concessões atuais", diz Mohr.
O segundo é melhorar o trajeto em direção a Maringá, que está duplicado, mas precisa de obras como muretas de separação entre sentidos diferentes. Outros três eixos são em direção a Presidente Pudente, a Assis e a Ourinhos, que precisam de melhorias desde duplicação a viadutos.
Por fim, é preciso implantar o Contorno Norte, para tirar o tráfego pesado de dentro de Londrina. O empresário e vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Ary Sudan, afirma que o contorno é um exemplo da importância da mobilização regional sobre governantes. "Percebe-se uma discussão intensa na região sobre isso e era algo que estava esquecido, que muitos diziam que seria cancelado, mas não existe mais essa possibilidade porque a sociedade se movimentou."

mockup