Infraero quer estatização da Varig
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quarta-feira, 16 de julho de 2003
Ana Paula Graboise Cindy Correa<br> Agência Folha 
São Paulo O presidente da Infraero, Carlos Wilson, defendeu ontem a completa estatização da Varig com uma futura privatização, após Gilberto Rigoni, atual presidente da FRB-Par, controladora da empresa, ter informado que não tem interesse na fusão com a TAM.
A Infraero, com débitos de R$ 650 milhões a receber das duas empresas aéreas, junto com a BR Distribuidora e o Banco do Brasil são os maiores credores da Varig. ''Ontem fomos surpreendidos com o recuo da empresa. Se na verdade existe a disposição de se manter uma empresa com a bandeira nacional com mais de 75 anos devemos jogar duro. E jogar duro significa intervenção'', disse o executivo.
Carlos Wilson afirmou que se sentiu traído pela fundação Ruben Berta, assim como acha que o ministro da Defesa, José Viegas, também deve pensar assim. Viegas tem sido um dos principais articuladores da fusão. ''Eles (FRB-Par) estão achando que podem esticar a corda e que em todo momento o governo vai alongar a dívida e dar crédito especial para a Varig. E não vai ser assim, não podemos dar um tratamento diferenciado para quem, na verdade, não demonstrou competência para administrar uma empresa com a grandiosidade da Varig, como a fundação Ruben Berta''.
O presidente da Infraero afirmou que a estatização aconteceria por meio de um conselho de credores assumindo a gestão da empresa. Depois, o BNDES faria um aporte financeiro para sanar a companhia e, com as contas em dia, o grupo colocaria as ações da Varig para vender.
Esse plano de Wilson não foi apresentado para o ministro Viegas ou para outros componentes do governo. Segundo ele nunca foi conversado em Brasília sobre a estatização ou intervenção até agora.
''É estatização e a partir dai a comissão irá de novo privatizá-la, mas antes temos que sanear a empresa para que algum grupo se interesse por ela'', afirmou.
A participação do BNDES poderá ser por financiamento ou participação na companhia aérea. Na proposta do executivo, o banco estatal poderá permanecer acionista da Varig mesmo após a reprivatização. Carlos Wilson disse ainda que a Varig só sobreviveu até agora por que o governo Lula permitiu. ''Se não, ela pararia de voar desde o dia primeiro de janeiro quando o presidente Lula tomou posse'', disse.


