São Paulo - Enquanto os passageiros da TAM e da Gol, que já detêm juntas quase 90% do mercado, se acotovelam em filas quilométricas na hora de fazer o check-in, a Varig se recusa a ceder, ainda que temporariamente, seus balcões nos aeroportos. Na tentativa de evitar mais um capítulo da novela judicial que garante à Transbrasil e à Vasp a manutenção de áreas nos aeroportos administrados pela Infraero, a estatal anunciou uma mudança nas regras de concessão de balcões de check-in. Essa saída administrativa - que prevê um sistema de rodízio com avaliação periódica da demanda das empresas - será apresentada hoje ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8 Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pela recuperação judicial da Varig.
Os novos donos da Varig se recusam a devolver as áreas sob o argumento de que as mesmas foram ''congeladas'' no processo de recuperação judicial e fazem parte do ativo adquirido em leilão, juntamente com os direitos de vôo (slots). A empresa, que até dois anos atrás era líder de mercado, mantém quase a metade da infra-estrutura dos aeroportos, apesar de deter uma participação de mercado de 3,5%, inferior à da BRA.
''A infra-estrutura é limitada'', diz o diretor de assuntos governamentais do Sindicato das Empresas Aéreas (Snea), Anchieta Hélcias. ''Não é possível manter metade do espaço nas mãos de quem praticamente não voa mais. Os aeroportos estão lotados, mas em frente às áreas da Varig dá até pra jogar vôlei.''
A nova proposta da Infraero diz respeito apenas aos balcões de check-in de 12 aeroportos e prevê uma avaliação quinzenal para conferir a eficácia da medida. ''Também poderemos analisar periodicamente a utilização correta dos balcões pelas empresas'', explica o diretor de Operações da Infraero, Rogério Barzellay, acrescentando que esse é o primeiro passo para a implantação de um sistema de rodízio na utilização de outras áreas nos aeroportos, como acontece em vários países.
Para implementar a revisão da concessão das áreas, a Infraero se apóia em uma cláusula existente nos contratos assinados com as companhias aéreas. A cláusula permite a redistribuição de espaços sempre que ''houver ociosidade ou sub-aproveitamento'' das instalações por determinada empresa.
A Infraero já tem um pré-estudo para fazer a redistribuição. Foram inicialmente escolhidos os aeroportos mais movimentados do País: Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Guarulhos e Congonhas (SP), Galeão e Santos Dumont (RJ), Manaus, Brasília, Vitória, Confina (Belo Horizonte) e Foz do Iguaçu.

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