A Infraero vai propor ao Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil) a criação de um fundo para custear as perdas das companhias aéreas com a desvalorização do real. Os recursos viriam de parte da receita do Ataero (Adicional de Tarifa Aeroportuária), que neste ano arrecadou R$ 640 milhões.
O presidente da Infraero, Fernando Perrone, disse que o fundo poderia financiar, durante três a quatro anos, o impacto, para as empresas aéreas, do descasamento entre o dólar e o real. ''Não é uma operação hospitalar de socorro às empresas. Esse é um problema estrutural de todas elas. Cerca de 60% das despesas das companhias estão atreladas ao dólar'', explicou Perrone.
Segundo ele, a idéia é garantir um seguro cambial para as empresas de agora em diante, ou seja, a proposta não contemplaria a dívida passada das companhias.
O Ataero existe desde 1989 e corresponde a 50% do valor das tarifas aeronáuticas. Como o dinheiro é destinado a investimentos em infra-estrutura aeroportuária, Perrone enfatizou que a arrecadação não poderia ir integralmente para o fundo.
A receita do Ataero atualmente é dividida entre a Infraero (41%), o Comando da Aeronáutica (39%) e o Profaar (20%), que é um fundo do DAC (Departamento de Aviação Civil) para investimentos nos aeroportos que não são administrados pela Infraero.
Para 2002, a Infraero estima que haverá aumento na receita do Ataero devido ao crescimento superior a 8% no volume de vôos domésticos e internacionais. Neste ano, o aumento do fluxo aéreo deverá ficar entre 8,5% e 9%.

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