Brasília - Um dos principais credores da Varig, a Infraero (estatal que administra os aeroportos brasileiros) acredita que uma eventual falência da empresa causaria ''algum tumulto'' apenas no curto prazo.
Segundo o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, a estatal já estaria preparada para evitar ''confusão'' nos aeroportos em caso de quebra e o mercado se ajustaria rapidamente, principalmente em relação aos vôos domésticos. Para as rotas internacionais, caberia à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) repartir as rotas operadas pela Varig.
O governo federal discutiu ontem com as principais empresas aéreas brasileiras um plano para o remanejamento dos vôos se a falência for decretada. Participam da reunião representantes das empresas aéreas, Infraero, Ministério da Defesa, Polícia Federal, Gabinete de Segurança Institucional e Anac.
Pereira afirmou que a decisão da Justiça do Rio de Janeiro de aceitar a venda da empresa para consórcio formado por seus funcionários seria a ''última chance de recuperação''.
Na segimda-feira, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8 Vara Empresarial do Rio, aprovou a compra da parte operacional da empresa por consórcio do TGV (Trabalhadores do Grupo Varig) com dois investidores não-revelados.
Além de pagar R$ 1,01 bilhão pela companhia, o consórcio terá de injetar US$ 75 milhões na empresa até sexta-feira, de acordo com as regras do edital do leilão da Varig realizado no último dia 8.
O TGV informou ontem que vai pedir ao menos US$ 150 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para garantir a continuidade das operações da empresa.
O presidente da Infraero lembrou, no entanto, que o banco já manifestou que não está disposto a financiar operações de ''alto risco'' que envolvam a empresa. Para ele, ''ninguém quer ser o algoz da Varig'', mas o TGV tem que mostrar que tem condições para pagar um possível empréstimo.

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