Infra-estrutura logística precisa de R$ 60 bi
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Brasil necessita de investimentos na ordem de R$ 60 bilhões para melhoria da infra-estrutura logística da malha viária, portos, aeroportos e ferrovias, quase sete vezes mais do que os R$ 9 bilhões que o Governo Federal e Estados têm condições de financiar.
Cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) indicam que só nos três estados do Sul seriam necessários R$ 9 bilhões para obras de infra-estrutura nos próximos três anos, As obras são importantes para que o setor produtivo da região tenha mais competitividade. Esse valor também está longe da realidade. O orçamento da União para 2005 destina menos de R$ 70 milhões ao Paraná, um décimo dos R$ 700 milhões necessários, e bem aquém dos R$ 2 bilhões pleiteados pelos três estados do Sul.
''Para atrair o interesse das empresas é imprescindível criar condições ideais de estabilidade, segurança e rentabilidade'', diz o empresário Armando Monteiro Neto, presidente da CNI. Ele esteve em Curitiba participando do Congresso Parananaense da Indústria, que acontece ontem e hoje. Uma das necessidades para a área de infra-estrutura, para o empresário, é estabelecer regras claras para os marcos regulatórios e questões judiciais. ''Faz pouco tempo que o Brasil está fazendo sua revisão dos marcos do setor. Alguns ainda nem estão definidos, como é o caso do saneamento. O setor elétrico também tem definições recentes'', diz, ressaltando que é preciso definir também o papel das agências reguladoras.
O presidente da CNI também afirmou que as ações do governador Roberto Requião (PMDB), que vem questionando contratos fechados na gestão anterior do Governo do Estado, não afetam a credibilidade necessária para a atração de capital privado. ''É preciso ter uma ordem jurídica, observar contratos, regras, definição de marcos. Não tem nada a ver com o risco Requião, como o próprio governador chama'', afirmou.
Na abertura do evento, Requião criticou o sistema tributário brasileiro, afirmando que, desde a época do ex-presidente Fernando Collor a arrecadação com impostos compartilhados pela União, Estados e Municípios, o Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) subiu de 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 40% do PIB.
A crítica encontrou eco entre os cerca de 1,5 mil empresários participantes, que reclamam urgência para a reforma tributária. Uma das reivindicações de consenso é a simplificação do sistema. ''O Brasil deve criar bases para construir o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), um grande imposto que integre os tributos nas esferas municipal, estadual e federal'', explicou o presidente da CNI. Segundo ele, a complexidade de impostos, além de reduzir a competitividade do setor industrial, estimula o mercado informal e prejudica o crescimento do País.


