Infra-estrutura é a mesma de 20 anos
Curitiba - Desde 2002, um grupo de empresários têm estudado os gargalos existentes no Porto de Paranaguá e aponta erros que iriam desde a política administrativa, até operacional e de investimentos em infra-estrutura (que seria a mesma de 20 anos atrás). De acordo com o assessor técnico e econômico da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Nilson Hanke Camargo, o Porto de Paranaguá chegou a recusar um montante de R$ 120 milhões entre os anos de 2003 e 2004 e que poderiam ter sido usados para as obras do Cais Oeste. ''Os recursos eram da União, estavam disponíveis. No entanto, o porto resolveu devolver a verba dizendo que as obras previstas seriam superfaturadas'', apontou Camargo.
As obras do Cais Oeste serviriam para a construção de três novos berços (espaços para atracação de navios) e teriam custo ''zero'' para o Paraná. O que ocorre hoje é que temos muitas restrições para os navios e poucos berços. Atualmente são mais de 30 navios atracados por falta de estrutura portuária. ''Isso tem um custo e quem paga a conta? Está claro que o produtor rural'', reclamou ele. Outro problema seria na pesagem da carga. ''Nós temos hoje duas balanças e teríamos que ter oito. Isso ocasiona a fila de caminhões que o governo diz que não existe. Temos R$ 350 milhões no caixa do Porto e não se compra nem balanças para resolver a fila'', disse. Uma balança hoje custaria R$ 500 mil (compra da balança e instalação).
A iniciativa privada também estaria tendo dificuldades em Paranaguá. ''Queremos ampliar o berço, investir e não se deixa investir. Têm projetos que adormecem na mesa da Administração Portuária e ninguém nos dá qualquer resposta. Nem nossos investimentos são autorizados'', pontuou. Um dos problemas mais conhecidos em Paranaguá é o da dragagem. O Canal da Galheta, por exemplo, era reto e hoje está encurvado, tinha 200 metros de largura e tem 90, reduziu o calado em dois metros e não opera no período noturno, nem em condições meteorológicas adversas (corrente, vento, neblina). A profundidade que era de 15 metros, estaria em oito.
''Qualquer navio tem 15 metros de profundidade. Não se faz a licitação e ainda se piora o edital colocando impedimentos com o tipo de capacidade que a draga tem para fazer outro projeto simultâneo de engordamento da praia'', salientou. Camargo informou que muitos agricultores resolveram mandar suas cargas para outros portos brasileiros, como São Francisco (soja em grão). ''Tenho um operador que resolveu mandar 800 mil toneladas de soja para Francisco do Sul, mesmo tendo que pagar o ICMS. Outros foram para portos como o de Santos. Hoje a carga em Paranaguá é mais de automóveis. Na exportação a granel, houve perda. Não tem como negar''.
Camargo argumentou ainda que a imagem de Paranaguá já está ruim internacionalmente. O IMO (espécie de diário de bordo internacional) teria relatos de atrasos e de problemas de dragagem registrados, o que teria feito muitos importadores evitarem mandar as cargas para o litoral paranaense. ''E se Paranaguá padece por falta de dragagem, tem idéia do que ocorre em Antonina?'', questionou. Em outubro de 2007, foi inaugurado o terminal de álcool de Paranaguá com custo de R$ 15 milhões. No entanto, nenhuma carga ainda teria sido movimentada e existe a suspeita de que a canalização usada é incompatível com o produto.
A reportagem da FOLHA procurou a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) para buscar opiniões sobre os portos brasileiros. Foi informada que ninguém falaria sobre o tema. (L.P.)





