Josoé de CarvalhoAntônio Carlos Paralego, da Multi Import: número de lojas 1,99 em Londrina vai dobrar até o final do anoSurgidas com as facilidades alfandegárias e intensificação do consumo no Brasil, as lojas 1,99 crescem em todo o País, não só em número mas em quantidade de mercadorias ofertadas. Tornam-se alternativa de negócios para pequenos comerciantes, de compra barata para os consumidores populares e de boas vendas para os atacadistas fornecedores.
A iniciativa nasceu nos Estados Unidos, fortaleceu-se em países europeus (com mais intensidade na Espanha) e chegou à América do Sul através da Argentina. E foi dos argentinos que os brasileiros copiaram a idéia. Em Londrina, em pouco mais de um ano elas já somam mais de 20, número que deve chegar a 40 até o final deste ano. O baixo custo de instalação, a possibilidade de boas margens de lucro, as facilidades para montagem do estoque, giro de mercadorias e retorno rápido do investimento estão entre os principais fatores de crescimento do segmento.
Normalmente instaladas em pequenos pontos com grande fluxo de pedestres, as lojas têm no preço único seu diferencial. Sempre por R$ 1,99 as prateleiras abrigam desde mamadeiras a vasos de porcelana, passando por ferramentas (para casa, carro e jardinagem), calculadoras, fones de ouvido, flores artificiais, brinquedos, utilidades domésticas etc.
Com estoque composto basicamente de produtos fabricados em países asiáticos (China, Taiwan, Hong Kong), os comerciantes, que se abastecem nos grandes importadores nacionais, têm na estabilidade da moeda o grande trunfo comercial. E o surgimento de atacados regionais traz a possibilidade de agilizar as compras e aumentar o percentual de lucro.
‘‘O atacado, além de eliminar o risco que o comerciante corre em comprar no escuro, não ver ou tocar a mercadoria que está levando, proporciona também maior lucratividade, pois dependendo do número de itens ou do volume da compra não precisa sequer pagar frete’’. O argumento é do empresário londrinense Antônio Carlos Paralego, atacadista que comercializa quase 500 diferentes itens através da Multi Import, primeira empresa do ramo no Norte do Paraná.
Ele pretende abastecer também as lojas 1,99 das regiões Noroeste, Sudoeste e Norte Pioneiro. A variedade de preços e produtos é, segundo Antonio Paralego, fator determinante para oferecer ao lojista maiores ganhos no preço final: ‘‘Mesmo com ganhos que giram em torno de 15%, o atacado ainda proporciona ao comerciante uma margem média de 50% de lucro, pois a planilha de preços é montada para encaixar a mercadoria ao preço final de R$ 1,99. Além disto, pode montar seu estoque selecionando itens que têm maior giro nas prateleiras, supram melhor as necessidades do consumidor e proporcionem maior liquidez’’.
Antonio Paralego aponta outra virtude do negócio. A variedade de mercadorias oferecidas especificamente ao consumidor popular, em função do preço e da similaridade com produtos de grandes marcas e griffes internacionais, viabilizou também o comércio legalizado de camelôs e ambulantes, pois todas as transações são feitas com nota fiscal, desde o container no porto até o consumidor final. Além disto, estimulou alguns setores da indústria nacional que já estão dedicando parte de sua produção a este nicho de mercado.
‘‘Algumas indústrias, como a de vidros (copos de água, cerveja e bibelôs) e de utensílios de plástico (baldes, bacias e apetrechos para a cozinha) que já têm linhas de produtos mais populares, adequaram seu esquema de vendas às necessidades deste setor’’. Paralego diz que uma das alternativas encontradas pela indústria brasileira para participar mais fortemente no segmento e atrair o interesse do lojista é oferecer, em uma mesma embalagem, maior número de peças. ‘‘Copos nacionais, que são vendidos individualmente em outros estabelecimentos comerciais por valor parecido, podem ser comprados em embalagens com seis unidades por apenas R$ 1,99’’, completa.

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