Informática vai girar US$ 14 bi no País
Informática vai girar US$ 14 bi no País
Pesquisas comprovam o potencial do setor que tem crescido muito acima do PIB brasileiro - cerca de 25% ao ano
Tadeu Felismino
Especial para a Folha
O Brasil é um dos cinco mercados de software que mais crescem no mundo, podendo tornar-se a sexta subsidiária da Microsoft. Esta afirmaçao da empresa de Bill Gates, reproduzida pelo presidente da Sociedade Softex, Kival Chaves, deu a tônica do seminário Investment in Software Companies, que foi realizado esta semana, na Riosoft, reunindo 100 participantes.
O evento foi organizado pelo Programa Brasileiro de Software para Exportaçao com o objetivo de aproximar empresas de software de empresas de capital de risco nacionais e estrangeiras para alavancar negócios. O encontro reuniu fundos de pensao como BNDESPar, Banco do Brasil, Bolsa de Valores de Sao Paulo e Finep, entre outros, e as americanas Orbach, Patricof e Rust Capital, com diversos representantes da indústria brasileira de software.
Duas pesquisas recentes da Assespro (Asociaçao das Empresas Brasileiras de Softwres e Serviços) e da Sepin (Secretaria Especial de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia), apresentaram aos investidores as potencialidades do setor, que tem crescido muito acima do PIB brasileiro, na década de 90 - em torno de 25% ao ano.
Segundo Célia Nascimento, da Sepin, o mercado de informática no Brasil deve atingir US$ 14,2 bilhoes este ano, sendo US$ 7,1 bilhoes em hardware (máquinas), US$ 5,5 bilhoes em serviços e US$ 1,6 bilhao em software (programas).
No segmento de software, predominam as pequenas e microempresas (75%), sendo que 62% faturam até R$ 500 mil/ano. Sao empresas jovens, criadas principalmente de 1985 em diante.
Seu ponto forte é a qualidade de recursos humanos: mais de 50% das empresas têm, em seus quadros, mestres ou doutores; e dos mais de 25 mil empregos que o setor terá em 97, 38% serao para profissionais de nível superior e, 76%, acima de 2º grau.
Na opiniao de Atílio Reigada, presidente da Assespro nacional, as empresas brasileiras de software conseguiram se adaptar à realidade do mercado nos anos 90. Apesar do pequeno porte, nossas empresas tornaram-se competitivas diante da concorrência internacional, superando também as rápidas transformaçoes tecnológicas, graças a agilidade e criatividade na identificaçao de novas oportunidades e maior consciência na gestao do negócio, disse.
O quadro otimista foi reforçado por Kival Chaves, que falou sobre a estrutura do Programa Softex 2000, que desde janeiro deste ano deixou de ser coordenado pelo CNPq, orgao do governo federal, passando ao comando da Sociedade Softex, uma entidade sem fins lucrativos. Com 20 núcleos autônomos nas principais cidades brasileiras, que coordenam 800 empresas, mais três escritórios no exterior (EUA, Alemanha e China) e outro em implantaçao em Buenos Aires, o programa quer situar o Brasil entre os cinco maiores produtores e exportadores de software do mundo.
O objetivo pode parecer ousado, e realmente é, diz Chaves. Mas se a própria Microsoft já encara o Brasil como seu sexto mercado no mundo, por que nós nao podemos atingir a quinta posiçao?.
Na sua opiniao, o perfil da empresa brasileira de software nao é problema porque em todo o mundo o perfil do setor é semelhante: das 351 empresas de todo o País que apresentaram projetos concorrendo a R$ 50 milhoes que a Sociedade Softex está disponibilizando, a juro zero, mais de 90% nasceram após 1990 e 50% sao micro empresas, com menos de dez funcionários e faturamento de até R$ 100 mil/ano; 95% apresentarem produtos para plataforma PC, em ambiente Windows, usando linguagem Delphi, Oracle, Visual Basic e CC++. Pretendem exportar, em no máximo 12 meses - como exige o Edital - para o Mercosul, Estados Unidos, Canadá e Europa.
Para Newton Braga Rosa, sócio da Nutec, de Porto Alegre, uma das mais bem sucedidas empresas de software do País, que tem previsao de faturamento superior a R$ 8 milhoes para este ano, é possível prever a evoluçao de uma empresa de software.
Baseado em pesquisa da Assespro, ele diz que as empresa de até R$ 100 mil/ano (nível A) têm em média cinco anos e seis funcionários, faturando R$ 10 mil por empregado. As de R$ 100 mil a R$ 1 milhao/ano (nível B) têm oito anos, 29 funcionários e faturam R$ 20 mil por empregado. No nível C (de R$ 1 milhao a R$ 10 milhoes/ano), as empresas, já com 13 anos, terao 98 funcionários, faturando R$ 40 mil por empregado; e acima de R$ 10 milhoes (nível D) a produtividade será de R$ 55 mil por empregado (R$ 110 mil se computadas só as privadas), para empresas de 18 anos e 650 funcionários.





