A informalidade profissional é um processo irreversível e já movimenta, somente nos países em desenvolvimento, mais de US$ 3 trilhões de dólares anuais. No Paraná e no caso específico de Londrina, a redução gradativa do poder de compra dos trabalhadores registrados, que chegou a 30% nos últimos dois anos, é a principal causa da informalidade que, apesar de não contar com estatísticas específicas a seu respeito, deve englobar boa parcela dos cerca de 20 mil profissionais oficialmente desempregados.
O levantamento da economia informal em nível mundial foi feito pelo jornalista paulistano Marco Roza, que no início de novembro lança o livro ''Procurar Emprego Nunca Mais'', sobre o avanço da informalidade no processo produtivo. Com base em dados conseguidos junto a um pesquisador peruano, foi constatada a forte e já quase maioria presença do trabalho sem registro em países conhecidos como do terceiro mundo.
Estatísticas do Dieese apontam para marcas históricas de desemprego na capital paulista, na casa dos 20%. Roza, no entanto, afirma que tais números escondem o potencial de cooperativas, associações e outras entidades de caráter produtivo que atuam no mercado sem registro. ''Observando por esse lado, a crise não é tão grave quanto se imagina.'' Roza ainda acredita em uma mudança radical nas relações trabalhistas, que em breve devem se transformar em relações de negócios. ''Consumidor e produtor tratarão diretamente de negócios, sem interferência bancária ou estatal.'' É por isso que ele pensa na informalidade como um processo irreversível: ''Ela já está engolindo o mercado, e não vejo aspectos positivos ou negativos nisso.''
O gerente do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Londrina, Mauro Viecili, no entanto, observa esse crescimento como prejudicial ao trabalhador. ''São pessoas que não vão poder contar com o sistema previdenciário no futuro'', explica, admitindo, porém, que a cidade, acompanhando uma tendência verificada em todo o Estado, também vê sua taxa de informalidade crescer. Viecili acredita que boa parte dos 9,5% do índice de desempregados londrinenses esteja trabalhando sem registro. ''Sem contar com os registrados que mantêm negócios paralelos'', diz.
Como parâmetro, Viecili compara as médias salariais dos funcionários do comércio em Maringá (R$ 440) e de Londrina (R$ 320). ''É uma redução que acaba empurrando o trabalhador para a informalidade'', diz.
A virtual isenção de impostos e de burocracias são alguns dos fatores que o gerente do Sine acredita que incentivariam grande parte da população economicamente ativa a procurar essa opção de trabalho. Juntamente, é claro, com a defasagem salarial do trabalhador londrinense. ''Isso se explica em grande parte pelas alternativas buscadas pelo comércio da cidade, que abre mão de funcionários experientes, e consequentemente mais caros, para contratar mais novos. Por isso, pessoas com mais de 38 anos têm mais dificuldades em arranjar emprego.''

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