Informalidade já responde por 36,5% dos ocupados
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terça-feira, 25 de maio de 2004
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A quantidade de pessoas no trabalho informal aumentou no primeiro quadrimestre deste ano, enquanto o total empregado com carteira assinada encolheu. Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram cerca de 400 mil postos de trabalho a mais, em média, em cada mês, na soma das categorias empregados sem carteira e por conta própria, considerados como informais. O total com carteira caiu 27 mil.
De janeiro a abril deste ano, a soma de empregos sem carteira e por conta própria somou em média 6,751 milhões ao mês, bem acima da média de 6,353 milhões do mesmo período em 2003. Já o emprego com carteira privada caiu da média mensal de 7,361 milhões de pessoas para 7,334 milhões.
Com estas mudanças, o peso dos informais aumentou. Isoladamente em abril, este grupo respondeu por 36,5% do total da população ocupada. A distância que separa esta fatia da participação dos formais (39,1%) é, agora, de 2,6 pontos porcentuais.
Para efeito de comparação, há dois anos, em abril de 2002, esta diferença estava em 5,9 pontos: os formais representavam 40,3% do total e os considerados informais respondiam por 34,4%.
Estes dados levam em conta o setor privado, excluindo, portanto, militares, funcionários públicos e também os trabalhadores domésticos.
A pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que de março para abril o total de empregados sem carteira assinada no setor privado saltou de 2,837 milhões para 2,981 milhões - 144 mil a mais. O total com carteira fez caminho inverso, encolheu em 15 mil postos, de 7,338 milhões para 7,323 milhões.
De acordo com o IBGE, apenas 26,3% das pessoas sem emprego em abril eram chefes de famílias. Ainda segundo o instituto, a maioria das pessoas que ingressaram no mercado em abril e conseguiram arrumar um trabalho tinha mais de 50 anos, baixa escolaridade (ensino fundamental incompleto) e ganhava até R$ 240. Essas pessoas, em sua maioria, empregaram-se no setor informal.
O editor-adjunto do Boletim de Mercado de Trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luiz Eduardo Parreiras, afirma que os primeiros sinais de retomada do mercado de trabalho têm ocorrido, como em 1999, a partir dos empregados sem carteira.
''Quando as empresas não têm segurança ainda sobre o horizonte de negócios começam a contratar como dessa forma. Só assinam a carteira depois. Vai ter por uns bons meses este grupo como principal fonte de crescimento. Depois vai ter uma troca (por contratações com carteira)'', explica o economista.


