Informalidade cresce 62% na década de 90
Informalidade
cresce 62% na
década de 90
Arquivo FolhaÀ MARGEMAmbulantes em Curitiba: 4,4 milhões trabalham sem carteira nas seis principais regiões metropolitanas do BrasilA informalidade nas relações de trabalho está em franco crescimento no país. Dados do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que o número de pessoas ocupadas sem carteira assinada cresceu 62% no Brasil na última década. O crescimento é ainda mais significativo diante da queda de 12,57% no número de pessoas ocupadas com carteira assinada no Brasil, entre 1990 e o ano passado.
Os paulistas avançaram ainda mais que o restante do Brasil na ocupação de trabalhadores sem carteira assinada. O crescimento da informalidade do trabalho no Estado foi de 81% na década de 90. Além disso, entre as 217 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho paulista no ano passado, 57%, ou 157.312 estão trabalhando sem carteira assinada.
A técnica Shyrlene Ramos da Silva analisa que os elevados percentuais de informalidade registrados são resultado de significativas mudanças nas relações trabalhistas nos últimos anos.
A expectativa da economista é que, com o estimado aumento de cerca de 4% na produção industrial do país, projetado para este ano, as empresas tenham melhores condições para legalizar o relacionamento com os funcionários.
Ela disse que a tendência da informalidade está sendo reduzida, já que houve aumento do número de trabalhadores com carteira assinada no último mês, de apenas 1%, com relação a dezembro.
Segundo ela, o percentual é positivo porque o número de empregados com carteira voltou a crescer após dois anos. No entanto, o número de trabalhadores sem carteira assinada cresceu 8% no mesmo período. Existem hoje, nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil, 4,4 milhões de pessoas trabalhando sem carteira.
O número é maior que a metade do total dos que têm a relação formal, um total de 7,4 milhões de pessoas. O número é ainda mais assustador quando são incluídos os que, segundo a pesquisa do IBGE, trabalham por conta própria. Muitas dessas 3,8 milhões de pessoas autônomas também estão na informalidade. Além disso, praticamente todo o acréscimo de pessoas ocupadas no Brasil no último ano ocorreu no mercado informal. Das 433 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho brasileiro no período, 78% não assinaram a carteira.
Em janeiro do ano passado, havia 4,2 milhões de pessoas trabalhando sem carteira assinada, de acordo com a pesquisa do IBGE. O número é 332 mil inferior ao registrado neste ano.
Pesquisa divulgada no final do ano passado pelo órgão revelou que a quantidade de trabalhadores sem carteira no país passou de 25,4% em 98 para 26,4% em 99. Por outro lado, o número de trabalhadores formais caiu de 45,8% para 44,5% no período.





