Curitiba - A informalidade ainda é grande nesta profissão. O levantamento do Dieese também mostra que entre 2004 e 2011 houve diminuição (de 57% para 44,9%) no número de trabalhadoras domésticas mensalistas sem carteira assinada. No entanto, não ocorreu aumento do total de mensalistas com carteira assinada na mesma proporção. Por outro lado, cresceu a proporção de diaristas (de 21,4% em 2004 para 30,6% em 2011), indicando que muitas mensalistas sem carteira passaram a trabalhar por dia.
Para o professor do curso de Economia da PUC-PR, Carlos Magno Bittencourt, a informalidade também é decorrência da legislação da categoria, "que ainda é um tanto complicada". A professora de RH e Secretariado, Tatiana Borges de Oliveira, teme que os empregadores não consigam sustentar os encargos, o que pode aumentar ainda mais a informalidade no setor.
Com isso, deve ficar maior a presença de diaristas nos lares brasileiros para que as famílias possam "fugir" dos encargos sociais. No entanto, há um viés negativo desta história. O economista Fabiano Camargo da Silva, do Dieese, alerta que quando as diaristas ficam doentes não trabalham e não recebem salário.
Ele lembra que o ritmo de trabalho das diaristas também é mais intenso porque elas fazem em um ou dois dias a limpeza de toda a casa. Segundo Silva, o crescimento do número de diaristas aponta para uma mudança de perfil do trabalho doméstico em função do aumento do salário mínimo, da diminuição do tamanho das famílias e das residências e da incorporação de novos hábitos.
Em 2011, o rendimento médio real por hora das trabalhadoras domésticas no Brasil era de R$ 4,39, o que representa um ganho real de 76,4% em relação à remuneração de 2004, que correspondia a R$ 2,49. Quem ganhou mais foram as mensalistas com carteira, que tiveram aumento real de 92,8% de 2004 a 2011, saindo de R$ 2,72 por hora para R$ 5,24 por hora.
O estudo mostra também que no período diminuiu em duas horas o total do tempo trabalhado por semana entre as domésticas brasileiras - média nacional passou de 37 horas para 35 horas. Esta redução está ligada ao aumento da proporção de diaristas. Em 2004, as diaristas trabalhavam 33 horas semanais e em 2011 31 horas. No caso das mensalistas com carteira, a redução foi de 44 para 42 horas semanais.

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