O rendimento médio de famílias que têm pelo menos um integrante trabalhando na atividade informal supera os ganhos das famílias que fazem parte do mercado de trabalho formal (com carteira assinada). A revelação é da mais recente pesquisa sobre a informalidade na cidade de São Paulo, realizada em conjunto pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Fundação Seade-Dieese.
De acordo com o estudo, 50% das famílias que estão no mercado formal têm rendimento de R$ 1.072, enquanto que 50% das famílias em que pelo menos uma pessoa está na informalidade tem rendimento de R$ 1.125. Se forem considerados os descontos a que estão submetidos os trabalhadores registrados, a diferença é ainda maior. ‘‘O emprego informal tem uma importante capacidade de gerar renda média’’, resumiu Sandra Brandão, técnica da Fundação Seade.
Com relação à renda per capita, no entanto, os trabalhadores formais estão melhor posicionados. Metade das famílias no trabalho formal tem renda per capita de R$ 422,00 enquanto metade dos informais, cujas famílias são normalmente mais numerosas, possuem um ganho de R$ 338,00. O levantamento mostrou que o trabalho informal cresceu 30% entre 1990 e 1998. Hoje ele representa 48,2% da população ocupada do município, contra 51,8% do trabalho formal. Ou seja, quase a metade dos trabalhadores não tem carteira assinada.
Segundo a técnica da Fundação Seade, os salários estão em patamares tão baixos, sobretudo para pessoas com pouca escolaridade e especialização, que muitos são empurrados para a informalidade, a fim de garantir a sobrevivência por meio de um rendimento maior. ‘‘A curto prazo, a solução individual traz resultados, mas a médio e longo prazo torna-se em um grave problema para a sociedade. Como garantir o processo de envelhecimento destas pessoas que não contribuem com a Previdência e não terão direito à aposentadoria?’’.

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