O plano do economista Hernando De Soto inclui um estudo detalhado sobre os custos como a corrupção de fiscais e policiais, por exemplo e os benefícios de se manter na informalidade e os de sair dela. Sua estimativa é a de que as propinas consumam 15% da receita dos informais no Peru e na Bolívia, por exemplo. ''Ser legal tem de custar menos do que ser ilegal'', recomenda. Do trabalho de campo até a formulação e introdução de políticas, De Soto oferece um plano completo, com quatro etapas para fazer a ponte do ''capital morto para o vivo''.

Numa sala contígua ao restaurante da Associação Comercial, depois da palestra seguida de almoço, dirigentes da categoria manifestaram interesse em executar no Brasil o plano, que no México custou US$ 1 milhão. ''É fácil conseguir patrocínio para isso numa entidade como o Banco Mundial'', assegurou o economista.


A conversa com De Soto, cujo livro é, há seis meses, o mais vendido entre os de economia nos Estados Unidos, e também o segundo mais vendido de língua inglesa na Europa, só interessa para quem suspeita de que o subdesenvolvimento não é produto do capitalismo, mas da falta dele. No Peru, o livro é vendido nas bancas de jornais, como um manual prático para melhorar de vida.

As palestras de De Soto sobre a utilidade da propriedade e do crédito reúnem milhares de pessoas em ginásios no interior do país. A poucos metros de onde o economista espera o carro, os camelôs Marcos Pereira, de 20 anos, e seu sócio Antonio Barbosa, de 21, vendem pomadas para reumatismos e impotência sexual. Num cenário que remete às feiras medievais, eles recomendam seus unguentos prometendo alívios imediatos e segredando feitos de virilidade.

Aceitariam pagar impostos e taxas em troca da segurança da legalidade e do acesso aos créditos? Os camelôs garantem que sim. Se a resposta, crucial para os planos de De Soto e de seus clientes, é sincera ou não, é difícil determinar. Já os predicados de vendedores e empreendedores dos dois parceiros parecem inegáveis. O que aconteceria com o Brasil se liberasse o capital aprisionado na poupança imóvel da classe pobre e o ímpeto empreendedor de seus detentores é algo imponderável. (AE)

mockup