A inflação em março voltou a dar sinais de desaceleração. O IGP-M (Indice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, caiu para 2,83%, contra os 3,61% registrados em fevereiro. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, estima que a taxa recue para cerca de 1,5% a 1% em abril e se mantenha nesse nível até o final do semestre. Se a projeção se concretizar, o índice encerra o primeiro semestre abaixo dos 12%. No ano, o IGP-M já acumula uma alta de 7,44%.
‘‘A desaceleração do ritmo de alta dos preços vai ficar mais evidente quando forem divulgados o IGP-DI e o IGP-10 nas primeiras semanas de abril. Esses índices já registram um período maior de queda da cotação do dólar. O IGP-M de março captou apenas dez dias de valorização do real’’, explicou.
Cota disse que o pico da inflação foi em fevereiro e que a tendência agora é uma acomodação dos preços. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, porém, ainda considera otimista a estimativa do governo de inflação abaixo de 15% para este ano. Ele espera uma taxa entre 17% e 18%, acima da meta de 16,8% fixada pelo Brasil no acordo com o FMI. ‘‘A trajetória da inflação este ano vai depender do aprofundamento da recessão. Se houver um aprofundamento, a taxa pode até chegar aos 15%’’.
A maior desaceleração de preços em março foi sentida pelo IPA (Indice de Preços por Atacado), que responde por 60% da composição do IGP-M. O IPA subiu 4,16% este mês, contra os 5,82% verificados em fevereiro. Cota destaca que alguns preços de insumos e matérias-primas estão acompanhando a queda do dólar. Um exemplo é o trigo, que recuou 2,03%, depois de subir 49,12% em fevereiro.
Já o IPC (Indice de Preços ao Consumidor), com peso 30% no IGP-M, subiu de 0,97% no mês passado para 1,19% em março. Os alimentos foram os grandes responsáveis pela alta, registrando aumento de 2,94% no período. A redução nas despesas com vestuário contribuiu para reduzir o impacto dessa alta. O grupo registrou deflação de 2,95%.
O INCC (Indice Nacional de Custo da Construção), de peso 10% no IGP-M, foi de 0,91% em março, contra 0,62% em fevereiro.

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